O Sebrae Alagoas recebe, nesta terça (13) e quarta-feira (14), a segunda edição do Seminário da Rede de Cultura e Economia Criativa. Em Maceió, o encontro reúne empreendedores, produtores culturais e representantes de instituições públicas para discutir estratégias de fortalecimento do setor, com foco na geração de negócios, na sustentabilidade das atividades culturais e na valorização das vocações econômicas do estado.
Realizado no contexto do Programa Nacional dos Comitês de Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura, o Sebrae e o Instituto BR Arte, o seminário integra uma estratégia nacional de articulação entre políticas públicas e empreendedorismo cultural. A iniciativa busca aproximar quem produz cultura das instituições que podem contribuir para o fortalecimento de suas atividades, estimulando a construção de redes de colaboração e planos de ação alinhados às vocações econômicas de cada região.
A escolha de Maceió para sediar novamente o encontro reflete, segundo a coordenadora de Políticas Públicas do Sebrae Nacional, Ana Paula Garcia, o reconhecimento das experiências desenvolvidas em Alagoas e da capacidade do estado de contribuir para iniciativas que possam ser replicadas em outras regiões brasileiras.
“O Nordeste reúne uma diversidade cultural muito expressiva e experiências que servem de referência para o país. A escolha de Maceió é estratégica por sua representatividade, pelo legado e pela experiência acumulada. O Sebrae Nacional aprende com os estados que já desenvolvem iniciativas bem-sucedidas para que essas práticas possam inspirar outros territórios”, destaca.
Cultura também é negócio
Embora frequentemente associada à música, ao teatro e ao artesanato, a economia criativa abrange uma cadeia muito mais ampla de atividades. Gastronomia, turismo de base comunitária, audiovisual, design, arquitetura, jogos digitais, patrimônio histórico e serviços ligados à produção cultural também integram esse universo, que tem na identidade dos territórios seus principais ativos.
Para a analista de Políticas Públicas do Sebrae Nacional, Cyntia Uchôa, um dos desafios é fazer com que os próprios trabalhadores da cultura reconheçam o potencial empreendedor de suas atividades. Segundo ela, a Rede de Cultura e Economia Criativa já mobiliza 24 unidades federativas e atua na construção de estratégias que conectam políticas públicas, instituições e pequenos negócios.
“Muitas vezes, o trabalhador da cultura não se reconhece como empreendedor. Nosso trabalho é olhar para esse território, apoiar a formalização e fortalecer a sustentabilidade dos negócios, respeitando suas características e vocações. Queremos que essas pessoas se reconheçam como parte de uma cadeia econômica capaz de gerar renda e oportunidades”, explica.

Estruturada nacionalmente a partir de 2024, a rede também estabelece conexões com a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), que destina recursos públicos ao setor cultural. Nesse processo, o Sebrae contribui com articulação institucional, planejamento e compartilhamento de boas práticas, buscando aproximar os instrumentos de incentivo das necessidades de quem empreende.
Alagoas no centro das conexões
No estado, a mobilização é conduzida também em parceria com o Sebrae Alagoas, que participa da organização das atividades e da aproximação com lideranças e empreendedores locais.
“A economia criativa conversa com todos os setores que atendemos, inclusive com o agro. Em um estado como Alagoas, onde o turismo tem tanta importância, essa conexão é ainda mais evidente. Trazer o seminário para o Sebrae também aproxima os fazedores de cultura da instituição e fortalece essa articulação local”, ressalta a analista do Sebrae Alagoas, Thêmis Mendonça.
A programação começou na manhã desta terça-feira (13), com a palestra “Rede de Cultura: Fortalecendo Ecossistemas de Negócios Criativos”, conduzida pela jornalista, educadora social e cultural e empreendedora Luíla de Paula. O encontro abriu espaço para reflexões sobre a organização do setor e a importância de conectar iniciativas culturais a estratégias de desenvolvimento econômico.

Na tarde do primeiro dia, os participantes realizaram visitas técnicas ao Teatro Homerinho e à Tripinha, Espaço Gajuru Cultural, ambos no bairro de Jaraguá, conhecendo experiências locais que demonstram diferentes caminhos para a valorização e a sustentabilidade de empreendimentos culturais.
Empreendedorismo cultural
Entre as experiências apresentadas durante as visitas técnicas está a Tripinha, sede da Associação Cultural Joana Gajuru, grupo com 31 anos de atuação no teatro alagoano. Instalado em Jaraguá, o espaço representa uma conquista construída após um período de dificuldades enfrentadas pela companhia, que perdeu sua antiga sede no bairro do Pinheiro, atingida pelo desastre da mineração.
Para Alex Walker, ator, cineasta e membro do Gajuru, a Tripinha representa tanto a preservação de uma trajetória cultural quanto a construção de um empreendimento que precisa gerar receitas para continuar funcionando. O espaço trabalha com locação para atividades culturais, mantém condições solidárias para integrantes da rede e movimenta profissionais e serviços ligados ao setor.
“A Tripinha é uma reparação transformada em patrimônio cultural permanente para a cidade, mas também é um negócio que precisa se sustentar e movimentar a economia ao seu redor. Políticas de fomento, como a Aldir Blanc, são fundamentais porque dão fôlego e continuidade a quem produz cultura. Mas o incentivo, por si só, não garante a sustentabilidade. É preciso associá-lo a um modelo de negócio e a uma rede de apoio”, destaca.

A programação do Seminário segue, nesta quarta-feira (14), com a programação dedicada a mesas de trabalho com lideranças, produtores e empreendedores culturais, voltadas à construção de planos de ação e ao fortalecimento das conexões entre os diferentes atores da rede.

