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Orientação técnica busca preparar produtores rurais de Alagoas para impactos climáticos do El Niño

Sebrae intensifica orientações e garante suporte contínuo no campo para proteger o agronegócio regional
Por Patrícia Bastos
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Os produtores rurais alagoanos precisam reforçar a atenção no campo para enfrentar os efeitos do El Niño, fenômeno climático que já começou e promete alterar o regime de chuvas e aumentar as temperaturas nos próximos meses. Como as atividades agrícolas são a base da economia da maioria dos municípios do interior e Alagoas já conta com aproximadamente 25% dos municípios com situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil, o cenário exige um planejamento imediato para enfrentar o período de seca previsto até o início de 2027.

Cultivos de ciclo longo como a mandioca, em que o tempo entre o cultivo e a colheita pode passar dos doze meses, podem ser os mais atingidos pelo fenômeno, embora o desequilíbrio afete o desempenho de todo o sistema produtivo rural. Em Alagoas, o Sebrae foi o pioneiro em tratar os impactos do ciclo de instabilidade climática na agricultura e na pecuária.

O assunto foi debatido durante a Semana do Produtor Rural, realizada no município de Teotonio Vilela. De acordo com o professor Ricardo Amorim, do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a gravidade das previsões climáticas para os próximos meses demanda ações imediatas nas propriedades rurais.

“O El Niño é uma anomalia que altera a temperatura das águas do Oceano Pacífico, causando uma série de transtornos em todo o globo terrestre e, em especial, no Nordeste do Brasil, que já convive com uma escassez de água considerável. A estimativa é de que este ano haja 91% de chance de o El Niño ser um evento muito severo na região, de acordo com os monitoramentos científicos, quadro que exige uma atenção redobrada”, alertou.

Em sua palestra, o professor universitário chamou a atenção para o fato de que a anomalia climática, que é monitorada no Brasil desde a década de 1950, seguia um ciclo histórico de ocorrência a cada sete anos, mas está se repetindo em intervalos cada vez menores, tornando os seus desdobramentos no campo cada vez mais imprevisíveis.

Professor Ricardo Amorim, da Ufal, alertou produtores sobre os impactos do El Niño e a necessidade de adoção de medidas preventivas no campo

Práticas adaptativas para redução de riscos

Como não é possível controlar o clima, as únicas alternativas possíveis são adaptação e convivência. Os produtores rurais precisam se preparar com antecedência e aprender a adaptar-se às variações extremas. Segundo o professor, é necessário aplicar técnicas para conservar a umidade do solo, como, por exemplo, a conservação da matéria orgânica na terra, ou então escolher culturas mais resistentes ao calor e à escassez de chuvas, quando possível.

Para adotar essas medidas, a orientação e o acompanhamento técnico alinhados à realidade do pequeno produtor rural são fundamentais. “Enfrentar um período de estiagem exige um manejo cuidadoso do solo, para reter o máximo de umidade e manter a fertilidade. Como os agricultores familiares não dispõem de condições para realizar grandes investimentos ou acessar novas tecnologias por conta própria, o acompanhamento técnico de instituições, como o Sebrae, é indispensável para direcionar as decisões antes e durante a ocorrência do fenômeno”, ressalta o professor Ricardo.

Sebrae Alagoas amplia orientação técnica aos produtores rurais para enfrentar os impactos do El Niño e reduzir os riscos à produção

Suporte especializado contra adversidades

As ações de suporte especializado e adaptado às realidades locais fazem parte do trabalho contínuo desenvolvido pelo Sebrae em todas as regiões de Alagoas, em iniciativas que buscam assegurar o planejamento financeiro e operacional da propriedade mesmo diante das adversidades do clima. O analista da Unidade de Relacionamento Empresarial (URE), Francisco Guilherme, detalha como a instituição vem estruturando o acompanhamento do setor.

“Iniciamos esse trabalho de orientação preventiva com os produtores de mandioca durante a Semana do Produtor Rural realizada em Teotônio Vilela, devido à importância econômica dessa cultura para a região. No entanto, o El Niño é um fenômeno abrangente, que afeta todo o agronegócio”, afirmou, explicando que até mesmo as culturas de ciclo curto, como a do feijão e das hortaliças, por exemplo, são prejudicadas pela anomalia climática. Assim como acontece na pecuária, uma vez que a escassez de água afeta a produção de leite e prejudica também o desenvolvimento do gado de corte.

“Por essa razão, utilizamos a capilaridade do Sebrae para levar orientações, consultorias e conhecimento contínuo aos produtores rurais, desde a conservação do solo à gestão hídrica, para que cada pequena propriedade continue a funcionar de forma eficiente e sustentável mesmo nos períodos mais adversos”, complementa o analista.

Trabalhos de orientação e fortalecimento das atividades agrícolas fazem parte da missão do Sebrae com o desenvolvimento territorial e a sustentabilidade dos pequenos negócios rurais no estado. Ao longo de todo o ano, a instituição permanece com suas portas abertas e equipes técnicas preparadas para acolher e instruir produtores rurais que buscam planejar safras, implantar inovações e atravessar os desafios do El Niño com segurança, produtividade e competitividade.