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Bloco da criatividade: carnaval de Alagoas impulsiona faturamento de pequenos negócios

Com costura, customização e acessórios autorais, empreendedores usam a folia para inovar e garantir alta temporada de vendas
Por Lilian Santos
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O Carnaval tem um impacto direto e positivo no desempenho dos pequenos negócios em Alagoas, principalmente por estimular o consumo antecipado. Além dos setores de turismo, comércio, alimentação e bebidas, a economia criativa também se beneficia com a circulação de turistas e foliões. Para os empreendedores que se reinventam nos serviços de costura e beleza, utilizando criatividade e regionalidade, o período carnavalesco pode representar até 60% do faturamento anual.

Trabalhando com customização de abadás desde 2015, a estilista e designer criativa Vanessa Batista vem se destacando por suas produções autorais e exclusivas. Com um trabalho voltado para a personalização detalhada, especialmente em pedrarias, seu ateliê se tornou referência para clientes que buscam um abadá exclusivo, transformado em um look completo.

“Algumas clientes chegam com uma ideia inicial e eu desenvolvo todo o visual: da customização do abadá ao look completo, incluindo acessórios, sapatos e até sugestões de maquiagem. É quase uma consultoria de fantasia”, explica Vanessa.

A estilista destaca que, para este ano, a tendência está nos acessórios: tops e croppeds personalizados, bandanas feitas com o próprio abadá, bolsas com aplicações do tecido, body chains e correntes com pedraria. “Muitas pessoas não querem mais cortar o abadá tradicional, mas querem personalizar com estilo. Eu produzo vídeos ensinando a adaptar a peça usando apenas acessórios; é uma forma prática e criativa de transformar o look”, comenta.

Para Vanessa, o carnaval é decisivo para o negócio, representando de 60% a 70% de todo o faturamento do mês, e parte desse resultado vem da clientela fiel conquistada ao longo dos anos. “Muitas clientes já me procuram no início de janeiro pedindo para reservar vaga. Outras deixam as camisas reservadas até o bloco confirmar a entrega dos abadás. Esse planejamento antecipado facilita muito o processo. Tenho clientes que estão comigo há cinco anos e que sempre indicam para outras pessoas”, pontua.

A estilista Vanessa Batista transforma abadás em looks exclusivos e faz do Carnaval até 70% do faturamento do seu ateliê.

Feito à mão e peças com identidade

Com peças que valorizam o artesanal, como crochê, bordados manuais, aplicações, recortes criativos e modelagens que unem estética, conforto e identidade, Florise Lima é outra empreendedora que tem seu negócio impulsionado por foliões que querem fugir do básico e carregar cultura no período de Carnaval.

“Sempre enxerguei o abadá como uma base que pode ser transformada em uma peça única, carregada de identidade, criatividade e expressão cultural. No início, os pedidos eram mais simples e em menor volume. Com o passar dos anos, o trabalho ganhou visibilidade, a demanda aumentou e as personalizações se tornaram mais elaboradas e autorais”, conta Florise.

Ela comenta que o aumento de turistas impacta diretamente na demanda, e seu principal aliado é o planejamento e a organização. “Muitos visitantes buscam personalizações exclusivas para viver o Carnaval local, o que amplia o número de pedidos e exige agilidade e organização na produção. Os pedidos costumam começar entre dezembro e janeiro, mas a preparação ocorre com antecedência, envolvendo planejamento de produção, compra de materiais e organização de processos para atender à alta demanda”, explica.

A criatividade, agilidade e qualidade das peças representam uma parcela considerável do faturamento anual de Florise, chegando a aproximadamente 40% dos ganhos totais do ano. “É um período estratégico para a sustentabilidade da marca. Além da renda, o carnaval gera grande visibilidade, fortalecimento da marca, aumento de seguidores e novas conexões. Após a folia, isso se transforma em novas encomendas, parcerias e reconhecimento do trabalho ao longo do ano”, destaca a empreendedora.

Com peças artesanais e autorais, Florise Lima usa o Carnaval para fortalecer a marca e garantir cerca de 40% da renda anual.

Acessórios contemporâneos que transformam o visual

À frente da Leila Monteiro Brand, loja de bijuterias autorais com design contemporâneo e curadoria exclusiva, Leila compartilha que a produção de acessórios carnavalescos passou a fazer parte do negócio há cerca de 5 anos, quando percebeu uma demanda crescente de pessoas que não queriam uma fantasia completa, mas desejavam um item que remetesse ao clima festivo. “Nem todo mundo quer se fantasiar dos pés à cabeça. Muita gente prefere usar uma roupa que já tem e colocar um acessório que transforme o look. Foi aí que comecei a investir nas tiaras e ombreiras”, conta.

O processo é manual do início ao fim, utilizando elementos que irão compor cada peça, como brilho, tassel, flores, folhagens e cores. “Eu amo usar verde e folhagens porque elas levantam a peça, chamam atenção. E tudo é feito artesanalmente, peça por peça”, reforça.

Os acessórios que mais saem são as tiaras personalizadas. “Como muita gente veste algo simples, um short jeans, uma camiseta, a tiara carnavalesca transforma o visual na hora. O pico de vendas chega 15 dias antes do Carnaval, impulsionado pelas prévias e pelo Pinto da Madrugada, que movimenta grande público em Maceió. Muita gente chega pela tiara e acaba conhecendo a marca. Vira cliente para o ano inteiro”, comenta.

Leila Monteiro aposta em acessórios artesanais que transformam o visual e impulsionam as vendas no período carnavalesco.

Estratégias de sucesso para o seu negócio

Os foliões se organizam com antecedência para escolher roupas, acessórios e adereços que irão usar durante as prévias e os dias oficiais da festa. Os pequenos negócios se destacam por estarem mais próximos dos clientes, compreenderem rapidamente essas demandas e conseguirem atender de forma mais personalizada, oferecendo customização, exclusividade, criatividade e looks alinhados à cultura e ao estilo do Carnaval de Alagoas.

No entanto, é comum que com a alta demanda alguns erros sejam cometidos, como a falta de planejamento, a ausência de inovação e a pouca atenção ao custo-benefício. Para obter o melhor resultado, a analista do Sebrae, Carolina Ávila, dá algumas dicas aos empreendedores:

A organização financeira

O período exige planejamento, definição de ações, previsão de custos com estoque, marketing, eventos e ações promocionais. Tudo isso deve ser feito sem comprometer o fluxo de caixa.

Cuidados durante a alta temporada

O MEI precisa redobrar a atenção: planejar compras extras, avaliar a capacidade de produção e garantir que ações e eventos estejam dentro da realidade financeira e operacional.

Fidelização do cliente

O Carnaval deve ser encarado como oportunidade de criar vínculos. Cadastrar clientes, atualizar bases, fortalecer redes sociais e montar listas VIP fortalecem o relacionamento e aumentam compras futuras.

Pós-venda

Após o período, o empreendedor deve retomar contato, enviar mensagens personalizadas, oferecer novidades e manter o cliente por perto.

“Para transformar o Carnaval em renda contínua, o empreendedor precisa se aproximar do cliente, entender suas necessidades e manter o relacionamento ativo. Ao interpretar o comportamento do consumidor e oferecer produtos que façam sentido para o trabalho, o negócio amplia suas oportunidades de venda ao longo de todo o ano”, reforça Carolina Ávila.

Para transformar o Carnaval em renda contínua, o empreendedor precisa se aproximar do cliente, entender suas necessidades e manter o relacionamento ativo.