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Sebrae lança selo Origem Alagoas e aposta na força do território para impulsionar novos mercados

Iniciativa vai reconhecer produtos e serviços genuinamente alagoanos e preparar pequenos negócios para ampliar oportunidades comerciais a partir de 2027
Por Nathalia Conrado
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O Sebrae Alagoas lançou, nesta terça-feira (1º), o Origem Alagoas, marca criada para identificar, valorizar e ampliar o acesso ao mercado de produtos e serviços genuinamente ligados ao estado. Apresentada durante um evento no Picuí Restaurante, em Maceió, a iniciativa entra em operação em 2027 e terá entre seus principais instrumentos um selo destinado a negócios que comprovem vínculo com o território, seja pela matéria-prima, pelo modo de fazer, pelos saberes, pela cultura ou por outras características de identidade local.

Além de reconhecer a origem, a estratégia pretende preparar os pequenos negócios para conquistar novos mercados e estimular o consumo da produção alagoana dentro do próprio estado. Para isso, os interessados passarão por um diagnóstico e poderão percorrer uma jornada de qualificação e adequação antes de receber o selo.

O lançamento reuniu empreendedores, representantes de entidades, imprensa, influenciadores e antecipou o funcionamento da iniciativa, previsto para o próximo ano. Para traduzir a proposta também à mesa, o chef Wanderson Medeiros preparou um cardápio utilizando produtos genuinamente alagoanos, numa demonstração prática de um dos objetivos do projeto, que é justamente aproximar quem produz de quem compra.

O selo Origem Alagoas nasce, não apenas como uma identificação estampada em embalagens, mas como uma proposta que envolve diagnóstico, qualificação, adequação dos negócios, conexão com compradores e estímulo para que consumidores, restaurantes, hotéis, pousadas e outros empreendimentos passem a olhar primeiro para aquilo que é produzido no próprio estado de Alagoas.

Para Domício Arruda, superintendente do Sebrae Alagoas, o avanço do turismo e de outros setores da economia alagoana abrem uma oportunidade para ampliar o espaço de produtores locais nas cadeias de fornecimento. “A intenção é fazer com que alimentos, bebidas, artesanato, moda autoral e outros produtos desenvolvidos no estado estejam cada vez mais presentes nos negócios que recebem alagoanos e visitantes. A gente fala em ganhar o mundo, mas primeiro precisamos ganhar o nosso quintal, o nosso terreiro”, ressaltou Domício.

O superintendente do Sebrae Alagoas, Domício Arruda, destacou a importância de ampliar a presença dos produtos alagoanos . Foto: Julio Vasconcelos

Identidade em foco

Para fazer parte do Origem Alagoas, não bastará ter endereço no estado, pois o vínculo com Alagoas precisará estar presente na essência do produto ou serviço.

O gerente de Competitividade Setorial do Sebrae, Henrique Soares, explica que os interessados passarão por um diagnóstico antes da concessão do selo. A avaliação deverá considerar tanto a identidade territorial quanto aspectos de gestão, regularização, processo produtivo, potencial mercadológico e capacidade de crescimento.

“O produto precisa ter uma relação genuína com Alagoas, com a matéria-prima, o modo de fazer, o saber, o território. A partir do diagnóstico, vamos entender em que estágio aquele negócio está e quais adequações podem ajudá-lo a alcançar o mercado local, regional, nacional ou até internacional. Rotas turísticas, turismo de experiência e iniciativas de base comunitária também poderão participar quando tiverem forte relação com a identidade do território.”, explica Henrique.

O lançamento reuniu oito pequenos negócios com identidade alagoana, que participaram como expositores e potenciais integrantes da jornada do selo Origens Alagoas. Foto: Julio Vasconcelos

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A ideia é que o diagnóstico também funcione como porta de entrada para uma jornada de desenvolvimento. Negócios que ainda não estejam preparados poderão ser direcionados para capacitações e orientações do Sebrae antes de avançarem no processo.

Durante o lançamento, a diretora de Administração e Finanças do Sebrae Alagoas, Juliana Almeida, falou da força da iniciativa que está justamente na diversidade encontrada dentro do estado e nas pessoas que transformam conhecimentos e tradições em atividade econômica. “A nossa origem fala de território, de tradição e de muita criatividade. Fala de uma Alagoas que vai do mar ao Sertão, que sobe a serra e desce para o calor do São Francisco. São 102 territórios, 102 histórias, mas, acima de tudo, essa história fala de gente. Gente que transforma o saber que aprendeu em valor, em negócio e em futuro”, afirmou.

A diretora do Sebrae, Juliana Almeida, ressaltou a diversidade dos territórios e dos saberes que formam a identidade alagoana. Foto: Julio Vasconcelos

Já o diretor técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima, destacou que, embora desenvolvida e registrada pela instituição, a intenção é que a marca ultrapasse os limites do próprio Sebrae e seja incorporada por diferentes setores da economia. “Apesar de ser uma marca registrada pelo Sebrae, o Origem Alagoas não é uma marca do Sebrae. É uma marca de Alagoas. Precisa estar no turismo, na agricultura, na produção, na prestação de serviços. É uma marca de todos os alagoanos”, ressaltou.

O diretor técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima, reforçou que o Origens Alagoas é uma marca do estado e deve envolver diferentes setores da economia. Foto: Júlio Vasconcelos

Protagonistas

Oito pequenos negócios com características alinhadas à proposta participaram do lançamento como expositores e potenciais integrantes da futura jornada do selo Origem. Entre eles está a Sabores da Fazenda, de Quebrangulo, empreendimento de Ítala Maria Tenório.

Na propriedade, o leite utilizado na produção é retirado das próprias vacas, enquanto parte das frutas e ingredientes é adquirida na região. A empresa produz doces sem conservantes e corantes e já conta com acompanhamento do Sebrae.

Para Ítala, estar entre os negócios apresentados no lançamento amplia as perspectivas para uma marca construída no interior do estado.

“É muito gratificante estar aqui. Desde o primeiro momento, a gente vem sendo incentivado pelo Sebrae. Esperamos ter cada vez mais divulgação e conquistar novos mercados”, conta a empreendedora.

De Quebrangulo, a Sabores da Fazenda participou do lançamento apresentando produtos artesanais feitos com ingredientes da própria propriedade e da região. Foto: Julio Vasconcelos

O selo terá validade inicial de dois anos e poderá ser renovado mediante uma nova avaliação. Um site da marca está em desenvolvimento para reunir os critérios e receber futuramente as inscrições. Em uma segunda etapa, a plataforma também deverá ganhar recursos de exposição e comercialização dos produtos.