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Pecuaristas alagoanos participam de imersão em tecnologias e novos modelos de negócios na pecuária de corte no Paraná

Ultrassonografia de carcaça in vivo, bioinsumos e modelos cooperativos de carnes nobres estão entre as inovações apresentadas durante missão técnica promovida pelo Sebrae Alagoas
Por Lílian Santos
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A pecuária de corte em Alagoas passa por um processo de profissionalização e busca por novas tecnologias e modelos de negócios capazes de aumentar a eficiência e a rentabilidade no campo. Com o objetivo de ampliar o acesso dos produtores a essas experiências, o Sebrae Alagoas promoveu uma missão técnica ao Paraná, onde 21 pecuaristas e técnicos do estado participaram de uma imersão em gestão, pecuária regenerativa, tecnologia de precisão e agregação de valor à produção.

As visitas aconteceram nas cidades de Campo Mourão e Cascavel e foram acompanhadas pelo superintendente do Sebrae Alagoas, Domício Silva; pelo gerente da Unidade de Competitividade Setorial, Henrique Soares; e pela analista da mesma unidade, Cristina Loureiro.

“A cadeia produtiva da carne bovina é estratégica para o Brasil e pode ter um papel ainda maior no desenvolvimento de Alagoas. Ela não se limita ao produtor rural: envolve genética, reprodução, nutrição, produção de milho e outros alimentos, máquinas, transporte, frigoríficos, indústria, comércio, restaurantes e exportação. O Sebrae está sempre atento e buscando inovação para o mercado de carnes”, pontuou Domício Silva.

A imersão ampliou conhecimentos e apresentou novas possibilidades para tornar a pecuária alagoana mais eficiente, sustentável e rentável

Gestão, escala e segurança alimentar

A primeira parada da missão foi a Fazenda Dona Elisa, onde é desenvolvido um sistema intensivo voltado exclusivamente para a produção de fêmeas jovens. A propriedade possui 169,4 hectares, divididos em 14 praças de manejo, e abriga cerca de 960 animais. Entre as práticas adotadas está a apartação rigorosa dos animais aos quatro meses de idade, estratégia que contribui para o alto giro de capital e a padronização das carcaças.

Na sequência, o grupo visitou a sede da Cooperativa Maria Macia, em Campo Mourão. Fundada em 2004 e formada por 314 cooperados, a instituição realiza o abate de cerca de 2.300 animais por mês, com foco na qualidade e na segurança alimentar.

A cooperativa trabalha com a busca pela constância do fornecimento e pela rastreabilidade dos produtos, desde a carne moída até os cortes nobres. Em vez de manter frigoríficos próprios para a desossa, a instituição terceiriza essa etapa operacional, concentrando seus esforços no ganho de escala e na compra conjunta de insumos para os associados.

A missão levou os participantes a fazendas, cooperativas e indústrias de Campo Mourão e Cascavel, ampliando o contato com diferentes modelos de produção

Pecuária regenerativa e uso de bioinsumos

Em Cascavel, os participantes conheceram a Fazenda Bio Canto, onde tiveram contato com práticas de pecuária regenerativa e tecnologias de precisão. Na propriedade, os produtores acompanharam o uso de bioinsumos e produtos biológicos na nutrição animal e no manejo do solo, além de práticas voltadas ao melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.

A experiência chamou a atenção do produtor Vinicius Cansanção, que atua há mais de 30 anos na pecuária. Em Alagoas, ele trabalha com a criação de gado Nelore em sistema extensivo na região norte de Lagoa de Jacuípe e com confinamento de gado na região sul de Anadia.

Para o produtor, a missão proporcionou contato com diferentes modelos de operação e mostrou possibilidades que podem ser adaptadas à realidade das propriedades alagoanas. Entre os conhecimentos que pretende levar para Alagoas está o uso de insumos biológicos.

“Na propriedade que visitamos eles aproveitam praticamente tudo. Como trabalham com confinamento, utilizam os dejetos dos animais para produzir adubo e também gerar gás para a produção de energia. Dessa forma, conseguiram fechar o ciclo dentro da própria propriedade e aproveitar ao máximo os recursos disponíveis. A experiência que tivemos vai nos permitir aproveitar esse conhecimento e aplicá-lo, buscando uma evolução mais rápida principalmente nas práticas de adubação e no controle de pragas e doenças”, compartilha.

Tecnologia para avaliar a qualidade da carne

Outro destaque da missão foi a demonstração da avaliação de carcaça in vivo por meio da ultrassonografia. A tecnologia permite avaliar características do animal ainda vivo, como a Área de Olho de Lombo (AOL), relacionada ao rendimento de carne; a Espessura de Gordura Subcutânea (EGS), associada à proteção e à maciez; e o marmoreio, referente à gordura entremeada que contribui para sabor e suculência.

A ferramenta amplia a possibilidade de tomada de decisão dentro da propriedade, permitindo ao produtor acompanhar características relacionadas à qualidade da carcaça antes do abate.

A missão técnica foi encerrada na Cooperativa Padrão Beef, com a experiência “O Outro Lado da Porteira e Padrão de Carcaça”. No local, os produtores conheceram o funcionamento de uma planta industrial de abate e desossa, além de acompanhar os critérios valorizados e bonificados pelo frigorífico e os processos industriais de classificação, controle de perdas e higienização.

Ultrassonografia de carcaça, bioinsumos e tecnologias de precisão foram algumas das soluções conhecidas pelos pecuaristas durante a missão

Inovação ao alcance do produtor alagoano

Mais do que proporcionar aos participantes o contato com novas tecnologias e modelos de produção, a missão também buscou identificar soluções que possam ser adaptadas à realidade dos produtores de Alagoas. A proposta é ampliar o acesso de outros produtores alagoanos aos conhecimentos e às ferramentas apresentadas durante a missão.

“Os resultados da visita já têm destino certo: virar solução prática no campo. Estamos estudando adaptar ferramentas como a ultrassonografia de carcaça e a consultoria em bioinsumos na grade do Sebraetec. Com isso, os pecuaristas de Alagoas poderão acessar diagnósticos de precisão e modernizar seus rebanhos com custos reduzidos, elevando o padrão e a rentabilidade da pecuária no estado”, destaca Cristina Loureiro.