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Artesanato alagoano movimenta mais de R$ 50 mil em estreia na ABUP Show, em São Paulo

Sebrae Alagoas levou três associações para uma das principais vitrines de negócios do segmento Casa no país 
Por Nathalia Conrado
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O artesanato alagoano voltou de São Paulo com novos clientes, encomendas na bagagem e mais de R$ 51,7 mil em negócios realizados. O resultado foi alcançado por três associações apoiadas pelo Sebrae Alagoas durante a feira ABUP Show 2026, (Associação Brasileira de Empresas de Utilidades e Presentes) realizada de 10 a 13 de agosto, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo.

Pela primeira vez, o Sebrae levou artesãs alagoanas para participar da feira, voltada ao mercado profissional de decoração, mesa posta, utilidades domésticas e design. Representaram o estado o Instituto Embordal Filé (Maceió), o Artesanato Mão a Mão, do município de Feliz Deserto, e o Amor Caseado, de Boca da Mata.

Diferentemente das tradicionais feiras de artesanato, a ABUP é direcionada a compradores profissionais, lojistas, arquitetos, designers, representantes de hotéis, restaurantes e empresas que buscam fornecedores capazes de atender demandas em maior escala. Foi justamente esse novo ambiente de negócios que norteou a participação das alagoanas.

As três associações já são acompanhadas pelo Sebrae há alguns anos e chegaram à experiência após um processo de capacitação e estruturação dos negócios. Para participar de um mercado desse porte, explica a analista do Sebrae Alagoas Marina Gatto, não basta ter um produto de identidade forte. É preciso estar preparado para negociar preço de atacado, prazo, frete, capacidade produtiva, qualidade e padronização.

“Chegou o momento de dar uma virada de chave e buscar outros mercados”, disse Marina.

“São grupos que já vêm sendo preparados e que têm condições de atender demandas maiores. A ABUP permite colocar esse artesanato diante de novos compradores e, ao mesmo tempo, entender como o produto se comporta nesse mercado, o que é procurado e quais ajustes ainda podem ser feitos”, destacou.

A participação foi viabilizada pelo Sebrae Alagoas e os produtos foram apresentados sob a marca Origem Alagoas, reforçando a identidade territorial e a presença de técnicas tradicionais do estado em um ambiente especializado em casa, decoração e design.

A estratégia buscou criar conexões capazes de se transformar em negócios ao longo dos próximos meses. Para Marina, a entrada em eventos que extrapolam o circuito específico do artesanato representa um passo importante na profissionalização e ampliação de mercado.

“O artesanato que levamos tem tradição, regionalidade e uma identidade muito ligada a Alagoas, mas também precisa ser enxergado como produto capaz de ocupar outros espaços comerciais. O resultado passa pelas vendas, mas também pelos contatos, pela leitura desse novo público e pelo aprendizado que elas trazem de volta para os grupos”, completa.

As três artesãs alagoanas representaram suas associações, levando a identidade, a tradição e a criatividade do artesanato de Alagoas para novos mercados

Filé supera R$ 27 mil em vendas

Para o Instituto Embordal Filé, a estreia confirmou o potencial de uma técnica que carrega uma das identidades mais reconhecidas do artesanato alagoano. O grupo alcançou mais de  R$27 mil em vendas e voltou para o estado com novas encomendas.

Representante do Instituto, Petrúcia Lopes conta que a receptividade surpreendeu até quem já acumula experiência em outras feiras.

“A ABUP foi uma revelação para nós. Conseguimos captar novos clientes, tivemos uma aceitação muito grande dos produtos e voltamos com encomendas. Não esperávamos uma resposta tão expressiva. Para o Instituto Bordado Filé, foi um resultado excepcional e melhor do que o de muitas feiras de artesanato das quais já participamos”, afirma.

A ABUP foi uma revelação para nós. Conseguimos captar novos clientes, tivemos uma aceitação muito grande dos produtos e voltamos com encomendas.

Petrúcia Lopes

De Feliz Deserto para novos compradores

No Artesanato Mão a Mão, de Feliz Deserto, as vendas ultrapassaram R$ 10 mil durante a participação na feira. Mas os negócios não terminaram com o encerramento do evento. Após retornar a Alagoas, Ana Lúcia, representante do grupo, continuou recebendo contatos, encaminhando imagens de produtos e organizando novos pedidos.

“Foi uma porta muito grande para o nosso grupo. Nunca tinha participado de um evento como aquele. Depois da feira, outros clientes continuaram entrando em contato e fazendo pedidos. Trouxe encomendas de lá e sigo negociando outras”, conta.

O Artesanato Mão a Mão, de Feliz Deserto, participou pela primeira vez da ABUP Show e abriu novas oportunidades de negócios e parcerias

Amor Caseado amplia fronteiras

Para Edineuza Teixeira, representante do Amor Caseado, a experiência também significou uma mudança de patamar. Entre produtos vendidos e pedidos já acertados para produção e envio, o grupo contabilizou mais de R$14 mil.

Além do retorno financeiro, a associação estabeleceu contatos com potenciais compradores de diferentes regiões do país, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

“O que mais me marcou foi perceber o diferencial do nosso trabalho. As pessoas paravam, olhavam de perto, perguntavam sobre a técnica e elogiavam muito. Nunca tinha participado de um evento desse porte. Foram vendas, pedidos, contatos e muito conhecimento. Acredito que muitos desses lojistas ainda vão continuar comprando da gente”, relata Edineuza.

Os resultados alcançados nesta estreia bem-sucedida em São Paulo mostram como preparação, acesso a mercado e posicionamento podem ampliar as possibilidades de pequenos negócios tradicionais. Sem abandonar sua origem, o artesanato alagoano encontrou novos compradores e mostrou que tradição e competitividade podem caminhar juntas.

O Amor Caseado, de Boca da Mata, apresentou seus produtos na ABUP Show e ampliou contatos com compradores de diferentes regiões do país