ASN AL
Compartilhe

Sócio da Tardezinha mostra como o empreendedorismo negro pode ditar as tendências de mercado

Rafael Zulu fala sobre alternativas para reduzir a desigualdade racial no mercado
Por Patrícia Bastos
ASN AL
Compartilhe

Para empreendedores negros e periféricos enxergar Rafael Zulu palestrando em uma arena lotada no NEON 2026 gera muito mais que identificação. Com seu sotaque e gírias cariocas, falando do fenômeno que é o A Tardezinha, o ator, produtor e empresário mostrou que a juventude preta pode ser protagonista da própria história, preservando suas raízes.

A palestra, em que ele contou desde a sua infância em uma comunidade no interior do Rio de Janeiro até o sucesso na atuação e como sócio da A Tardezinha e a DUE Incorporadora, que tem empreendimentos de luxo planejados em Maragogi e Japaratinga, inspirou o público no último dia do evento, promovido pelo Sebrae Alagoas.

“Ver uma pessoa preta, como eu, vencer na vida, me fez perceber que é possível para mim também”, declarou Danilo José Vieira, estudante e menor aprendiz. “Como preto, a gente passa por coisas que as outras pessoas nem imagina, então é difícil a gente se colocar no lugar de uma pessoa que conseguiu vencer o sistema e ter sucesso. Sei que o caminho é duro, mas não é impossível”, completa o jovem, que também está se preparando para prestar o Enem para engenharia civil.

Rafael Zulu destacou a força do empreendedorismo negro como caminho para gerar oportunidades e reduzir desigualdades. Foto: Mandala

Para dar mais oportunidades para jovens como Danilo, Rafael Zulu instiga o fortalecimento da comunidade negra como uma rede de apoio mútua. “É valorizar o black Money mesmo. É conscientizar os pretos que eles precisam consumir e fomentar de outras pessoas pretas. Então, eu preciso consumir dos meus, porque no momento que estou fortalecendo os meus, fica menos difícil para todo mundo”, declarou, em entrevista concedida ao final da palestra.

O caminho para superar as desigualdades raciais no Brasil é muito complexo. Segundo o empresário, é muito difícil alcançar os mesmos resultados quando o ponto de partida é muito mais distante. Mas ao superar todos os desafios como um produtor que transformou um evento de pagode em uma das maiores experiências musicais do país, ele não se coloca como fenômeno isolado. Zulu afirma que seu papel, assim como o do Thiaguinho, seu parceiro na A Tardezinha, é também ajudar a alavancar outros CNPJs pretos.

Antecipação de mercado e criação de comunidade

A Tardezinha nasceu na beira de uma piscina no Rio de Janeiro, com a proposta de ser uma roda de samba para que Thiaguinho aproveitasse um período ocioso por conta de compromissos televisivos. O que seria um simples momento de descontração “para desopilar das correrias”, como afirma Zulu, é considerada hoje é uma experiência de entretenimento, que arrasta multidões e movimenta cadeiras produtivas, que em uma década já realizou edições em 28 cidades de todas as regiões do Brasil e também por Angola, Portugal, Estados Unidos e Austrália , e faturou mais de R$ 300 milhões apenas em 2025.

Com arena lotada, Rafael Zulu mostrou que representatividade também gera oportunidades e transformação. Foto: Mandala

Uma magnitude comparada ao Rock in Rio, mas com uma pegada totalmente brasileira, voltada para o pagode, uma das manifestações mais legítimas da cultura preta no Brasil. Os dois festivais ditam tendências que influenciam os shows musicais e se tornaram marcas que conquistaram uma comunidade de fãs. A estratégia por trás desse sucesso, Rafael Zulu aplica também às suas outras empresas, que é ouvir o cliente ou até antecipar o que ele vai desejar.

“O conselho que eu dou para os empreendedores é estar sempre em busca daquilo que o mercado está precisando. É perceber para onde o mercado está indo e não é fazer isso depois, acompanhar a tendência. É necessário tentar antecipar, que é extremamente difícil. Manter o olhar lá na frente, plantar agora para colher no futuro”, enfatizou.

O empresário encerrou com chave de ouro as atividades da Arena Inovação, que também recebeu, no sábado (13), a influenciadora digital alagoana Gabriela Sales, amplamente conhecida pelo público como Rica de Marré. Cria da terra, Gabriela levou para o palco toda a sua bagagem na produção de conteúdo de moda e comportamento, destrinchando como a economia dos criadores transformou a comunicação global e abriu canais diretos de monetização para quem sabe construir uma comunidade engajada.

Gabriela Sales, a Rica de Marré, levou ao NEON reflexões sobre conteúdo digital, comunidade e economia dos criadores. Foto: Mandala