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Saúde no prato e tempero local definem finalistas do Concurso de Merendeiras do Sebrae Alagoas

Receitas valorizam a agricultura familiar e entregam sabores e nutrientes para o desenvolvimento das crianças na rede municipal de ensino
Por Patrícia Bastos
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Panelas no fogão, ingredientes frescos e muita técnica culinária marcam a reta final da oitava edição do Concurso de Merendeiras promovido pelo Sebrae Alagoas. Oito profissionais já estão classificadas para a etapa estadual, que acontece no dia 14 de novembro em Arapiraca. Mais do que uma disputa culinária, a ação garante uma merenda de alta qualidade nutricional para as crianças da rede municipal de ensino, em uma iniciativa que une o talento das cozinheiras, o trabalho das nutricionistas e o frescor dos produtos da agricultura familiar, promovendo saúde e melhor desempenho em sala de aula, além de gerar impacto direto na economia dos municípios alagoanos.

A trajetória do concurso, que abriu prazo para adesão dos municípios em abril, exigiu engajamento das gestões municipais e dedicação das profissionais, que antes de inscreverem as suas receitas precisaram passar por capacitações, para garantir que seus pratos, além de saborosos e nutritivos, também garantam a segurança alimentar e contribuam para o desenvolvimento territorial. O processo seletivo garantiu que apenas as receitas mais inovadoras e nutritivas chegassem à última fase, que foram definidas em semifinais regionais, ocorridas na última semana de outubro.

Oito merendeiras alagoanas são finalistas do concurso do Sebrae, que valoriza a alimentação saudável e a agricultura familiar

No Sertão foram classificadas as profissionais de Santana do Ipanema, Maria Zelma Leite dos Santos, com a receita Tesouro do Sertão; e Isabel Menezes Ferreira Vieira, de Delmiro Gouveia, que apresentou a Canjiquinha com Carne Bovina e Queijo Coalho.

No Agreste, Daniela Santos Ângelo Faustino, se classificou por Limoeiro de Anadia com o prato Cores e Sabores do Agreste: Bredo, Amendoim e Abóbora; e Nadieje Vieira Gomes da Silva, pelo município de Campo Alegre, com a Terrine Nordestina de Macaxeira, Feijão-de-corda e Carne Desfiada.

Outras duas finalistas são da região Sul, representada por Penedo, com Meire Lima Santos e seu Nhoque de Macaxeira com Frango e Molho de Legumes; e Jequiá da Praia, onde Francielle do Nascimento dos Santos apresentou seu Filé de Tilápia ao Creme de Milho.

Na região Metropolitana, as finalistas foram Ivonete da Silva Jesus, de Maceió, com seu Risoto de Abóbora com Frango; e Lidiane Bezerra dos Santos, de Mar Vermelho, que apresentou seu Escondidinho de Creme de Milho com Frango e Abóbora.

Estas finalistas já garantiram um prêmio de R$ 500 pela aprovação na etapa municipal, mas a última etapa reserva prêmios mais expressivos. A grande campeã do Concurso de Merendeiras vai levar para casa R$ 5 mil, enquanto a segunda e a terceira colocadas faturam R$ 2,5 mil e R$ 1 mil, respectivamente. O trabalho técnico da nutricionista que ajudou a desenvolver a receita vencedora também será premiado com R$ 5 mil, contemplando o esforço em equipe para elevar a qualidade do prato servido aos estudantes.

Agricultura familiar transforma o cardápio 

A principal regra do concurso é que todas as receitas devem utilizar alimentos provenientes da agricultura familiar que já estejam presentes nas chamadas públicas e nos pregões de compras governamentais das prefeituras, ou seja, os pratos só podem utilizar ingredientes que já fazem parte da merenda escolar. Essa estratégia foi utilizada para que os municípios olhem com mais rigor para a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), ao mesmo tempo em que desafia as merendeiras a usarem a criatividade, reinventando preparos e aproveitando ao máximo a biodiversidade de alimentos disponíveis para agregar sabor, cor e textura em receitas nutritivas e saborosas que possam ser replicadas no cotidiano das escolas.

A analista Tatiana Eigler, da Unidade de Ambiente de Negócios (UAN) do Sebrae Alagoas e responsável pela organização do concurso, explica que o nível técnico das participantes aumenta a cada edição. De acordo com ela, essa evolução é importante para garantir uma melhor nutrição e desempenho dos estudantes da rede pública.

“A gente percebe que elas têm aprimorado a forma de cozinhar para sair do trivial e fazer melhor, de uma forma diferente, e criança gosta de comer quando algo é apresentado para ela de uma forma diferente. Para muitas delas, aquela merenda é a principal refeição do dia, porque em casa elas não têm acesso a um alimento de qualidade como aquele. Quando elas se deparam com um prato mais lúdico, primeiro atraídas pelo cheiro, depois pelo olhar, e, por último, pelo paladar, elas aprendem e valorizam o se alimentar bem. Consequentemente, essas crianças bem nutridas conseguem ter mais atenção nas aulas e aprendem mais. Tudo isso estimulando também a agricultura familiar, gerando renda para as famílias dessas crianças e fazendo a economia local se desenvolver”, detalha a analista.

Criatividade e ingredientes da agricultura familiar dão sabor e valor nutricional às receitas das merendeiras alagoanas

Compras governamentais impulsionam o empreendedorismo rural 

A integração entre a produção rural e o prato do aluno é o maior trunfo do projeto. Quando a merenda é planejada com ingredientes da região, a demanda por produtos frescos fornecidos pelos agricultores familiares aumenta. E então o Sebrae entra neste cenário, desempenhando o papel de preparador técnico desses produtores rurais, garantindo que eles cumpram os requisitos necessários para participar e vencer as licitações públicas de compras institucionais. O resultado é um ciclo virtuoso de desenvolvimento, onde o recurso público investido na merenda permanece circulando dentro do próprio município, gerando trabalho e renda para centenas de famílias que vivem da terra.

Pollyana Bellotti, analista técnica do Sebrae Alagoas, enfatiza que esse estímulo aumenta a percepção de valor do trabalho rural e impacta positivamente a comunidade. “A ideia desse concurso fortalece e dá oportunidade não só para as merendeiras, mas também para os produtores, estimulando o empreendedorismo rural. Fazemos com que eles tenham a percepção de que não vendem uma fruta ou verdura, eles estão vendendo saúde, porque a saúde começa pela alimentação. Sem falar que fortalece a economia do município. Quando você estimula a agricultura familiar, ocorre o desenvolvimento territorial. O produtor produz, vai vender, a região vai consumir, vai girar a economia do município, gerar imposto, gerar emprego direto e indireto, e tudo fica naquela região”, avalia.