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Em busca de independência financeira, empresária de óticas decidiu assumir o risco de empreender

Depois de sete anos trabalhando como vendedora, Silvânia Ferreira tomou uma das decisões mais importantes de sua vida: deixou o mercado de trabalho de lado para se dedicar integralmente ao sonho de montar o próprio negócio
Por Robson Muller – Savannah Comunicação Corporativa
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Depois de sete anos trabalhando como vendedora numa ótica, Silvânia Ferreira tomou uma das decisões mais importantes de sua vida: ela deixou o mercado de trabalho de lado para se dedicar integralmente ao sonho de montar o próprio negócio. Foi em janeiro dos anos 2000 que a Ótica Boa Vista atendeu o primeiro cliente, iniciando a sua trajetória no mundo dos negócios.

Atualmente, além da loja que fica localizada na Rua Boa Vista, no Centro de Maceió, a empresa também tem uma unidade localizada na Rua Lafaiete Belo, no bairro do Poço. Apesar da expansão do negócio, a trajetória da empresária não foi fácil. Ela conta que a principal motivação para a mudança de rumo na carreira foi a vontade de ser independente.

“Depois de muitos anos trabalhando numa loja do mesmo segmento, eu resolvi ser independente. Então, apareceu esse ponto aqui no Centro e eu abri a ótica. Quando a gente trabalha e ama o que faz, a gente quer ser independente e produzir pra gente. E eu estava descobrindo a minha paixão”, recorda.

Para a empresária, a vontade de fazer diferente e de se destacar no mercado era mais forte do que o medo de assumir novos desafios. “Às vezes, os nossos chefes não aceitam mudanças e quando você gosta de renovar, empreender, buscar novos horizontes e mostrar para o cliente que você pode mais, enquanto o seu chefe não permite, você pode partir para a carreira solo”, defende.

Dificuldades e erros

Quando decidiu assumir o risco de empreender, Silvânia não imaginava que passaria por tantas dificuldades e que, pouco tempo depois da abertura da primeira loja, pensaria em desistir da independência já alcançada. Naquela época, ainda no início dos anos 2000, ela imaginava que a experiência como vendedora e a boa relação com fornecedores poderiam garantir o bom desempenho do negócio, mas estava enganada.

“O que eu tinha em mente era que, levando em consideração o tempo que eu já trabalhava no ramo, seria fácil administrar a minha própria empresa. Eu sabia o que vendia. Então, fui fazer as compras, escolher as peças. Eu me lembro que tinha o meu caderninho de clientes fiéis, que eu achava que poderia levar para qualquer lugar, mas não aconteceu dessa forma. E esse foi o meu primeiro erro”, relata a empreendedora.

Depois de extrapolar na compra de mercadorias e de atingir uma quantidade de vendas abaixo do que estava prevista, a empresária chegou a pensar em fechar as portas da ótica. “Não tinha capital de giro e achava que tendo o produto na loja os clientes iriam aparecer facilmente e não foi assim. Então, no primeiro ano de empresa, eu quase acabo com o negócio porque eu tinha essa visão, essa mentalidade”, relembra.

Empreender com o apoio do Sebrae

Em meio às dificuldades encontradas no primeiro ano de empresa, Silvânia foi orientada a buscar o apoio do Sebrae em Alagoas. Ela relata que o primeiro contato com a instituição aconteceu por meio do Empreender, programa que visa o fortalecimento da micro e pequena empresa, reunindo empresários que atuam na mesma região em núcleos setoriais. De forma coletiva, com o auxílio do Empreender, os empresários discutem problemas comuns e encontram soluções que podem ser viáveis para o negócio.

“Naquele momento de dificuldades, eu conheci o Sebrae e participei do programa Empreender, que foi o que alavancou a minha empresa e fez com que eu estivesse no mercado até hoje. O Sebrae para a vida do empreendedor é muito importante. Quando você faz parte do Sebrae, você começa a crescer, mas sempre vai achando a necessidade de se manter junto a esses projetos”, ressalta a empresária.

Além de participar do programa Empreender, a Ótica Boa Vista também recebeu uma série de consultorias, como gestão de layout e organização do ambiente, gestão de fluxo de caixa, gestão de compras e estoque, pesquisa de mercado e como montar vitrines. “Muitas vezes, o pequeno empreendedor acha que para começar só precisa ter um ponto, mercadorias e levantar as portas, mas esquece dos custos, dos tributos e dos encargos sociais que são altíssimos”, pontua Silvânia Ferreira.

“O meu cliente eu conquistei”

Depois de quase fechar a empresa e dar a volta por cima, a empresária entendeu que para se destacar no mercado seria preciso assumir os riscos, mas de forma consciente, além de investir na qualidade do produto ofertado e, claro, no atendimento ao cliente.

“O meu cliente eu conquistei. Ele tem confiança, ele sabe que o meu produto é um produto diferenciado, de qualidade, porque eu faço questão de mostrar o fornecedor que eu trabalho. Eu procuro trabalhar com a maior transparência possível para que o cliente sinta que eu me preocupo com ele”, destaca a empreendedora.

Pandemia e reposicionamento no mercado

Durante a pandemia do novo coronavírus, a empresária precisou se reinventar mais uma vez e, para isso, também buscou auxílio do Ad@pte, um programa emergencial do Sebrae. Esse programa,  neste momento de crise e de necessidade de adaptação dos negócios ao novo contexto de atuação no mercado, disponibiliza consultorias gratuitas para o empresário da micro e pequena empresa, com soluções nas áreas de biossegurança, gestão financeira, vendas, posicionamento digital, inovação, design de comunicação visual e propriedade rural.

“Na pandemia, a grande dificuldade para o empreendedor é vender pelas redes sociais. E isso nos mostrou que a gente não estava conectado. Com a publicação do primeiro decreto, em março, nós fechamos. Nesse momento, começou a bater a necessidade de que eu precisava arrumar as redes sociais da minha empresa porque eu estava deixando o cliente confuso. Eu não estava conseguindo passar a mensagem correta para o cliente”, explica Silvânia.

Após a publicação do segundo decreto para enfrentamento da Covid-19 em Alagoas, a Ótica Boa Vista retomou o atendimento presencial, mas precisou passar por uma série de adequações para que pudesse funcionar de forma segura, de acordo com as orientações das autoridades sanitárias.  “A gente precisava dizer, através das redes sociais, que estava usando máscara de proteção, álcool em gel e fazendo atendimento agendado para conquistar a confiança do cliente e do poder público também”, descreve a empresária.

“Para ser empreendedor e tocar um sonho a gente acaba perdendo outros sonhos”

Com a ascensão da empresa, o maior desafio passou a ser conciliar os compromissos profissionais com as horas em família. Muitas vezes, conforme a empreendedora, a agenda da loja interferiu na rotina da família dela, mas o apoio recebido neste momento foi fundamental para que ela continuasse apostando na realização do sonho.

“Para ser empreendedor e tocar um sonho a gente acaba perdendo outros sonhos. Muitas vezes, a gente precisa abrir mão de um momento com a família, um final de semana. Às vezes, é muito difícil a gente ter que escolher entre ser independente, ser empreendedor e estar com a família, que é o nosso bem maior, mas graças a Deus, quando eu pensava em desistir, a minha família me apoiava e isso é muito importante”, conta.

*Acompanhe a Série O que o Sebrae faz na nossa Agência Sebrae de Notícias do Sebrae Alagoas e confira também outras histórias de sucesso que recebeu o apoio: https://oqueosebraefaz.com.br/