Analisando o último ano, percebe-se claramente o ciclo positivo de resultados do Projeto Bovinocultura de Corte do Sebrae em Alagoas. Após dois anos de intenso trabalho com os pecuaristas fechou 2019 comemorando. Aumento no volume de vendas, no índice de competitividade dos pequenos negócios, estruturação de uma cooperativa para carnes especiais em Alagoas e apoio a participação em eventos para formar público consumidor, esses foram alguns dos frutos gerados. Para alcançar tudo isso foi necessário comprometimento na execução das ações, como as direcionadas para a gestão das fazendas, missões técnicas, consultorias dentro e fora do estado.
Para começar, o volume de vendas de carnes inspecionada no mercado local foi de 658.000 kg/ano, em setembro de 2017, para 963.248 kg/ano, em 2018, e 805.460 kg/ano no fim de agosto de 2019. A produtividade das fazendas produtoras de carne, que era de 94,29 kg/ha/ano (quilos por hectare ao ano) para 204,54 kg/ha/ano, sendo esse registro até agosto de 2019. Neste mesmo período, o índice de competitividade dos pequenos negócios, mensurado segundo parâmetros da Fundação Nacional de Qualidade (FNQ), subiu 38,81%.
As medidas tomadas para tais resultados foram variadas, como a capacitação dos pecuaristas – ao todo foram 52 consultorias indo de Melhoramento Genético, metodologia Arroba de Peso, Saúde e Segurança do Trabalhador (SST) Rural, Avaliação de carcaça, Mais Pasto. Também foi realizado o curso voltado para gerentes e vaqueiros, em parceria com a START, mesma empresa parceira do Sebrae na realização de duas edições bem-sucedidas do Encontro da Pecuária de Corte do Nordeste (Encorte).
Contudo, esses não são os únicos parâmetros para medir o sucesso destes dois anos de trabalho. Jacqueliny Martins, analista da Unidade de Agronegócios (UAGRO) do Sebrae em Alagoas e gestora do Projeto Bovinocultura de Corte, apontou como grande conquista o alto grau de gestão, aplicada em suas propriedades rurais, e maturidade dos pecuaristas participantes do projeto.
“Através das ações do Projeto, eles tiveram a oportunidade de conhecer boas práticas em outros estados e aplicaram melhorias nas suas propriedades. Sabemos também que Alagoas tem uma genética que se destaca na região Nordeste e no Brasil. Os produtores que participam da consultoria de Melhoramento Genético vêm obtendo excelentes resultados e contribuindo para que essa genética seja cada dia melhor”, ponderou Jacqueliny.
Por causa desse trabalho intenso de melhoramento genético, o segmento em Alagoas alcançou muita visibilidade dentro do Bovinocultura de Corte com a criação da Boi de Engenho para explorar o mercado das carnes premium por todo o estado de Alagoas.
Boi de Engenho e as carnes especiais
A estruturação da Cooperativa do Agronegócio do Boi (Cooperboi) uniu pecuaristas de seis fazendas alagoanas dos municípios de Paulo Jacinto, Quebrângulo, Viçosa, Pão de Açúcar, União dos Palmares e Porto Calvo para desbravar um nicho de mercado de grande exigência: as carnes especiais.
Através da marca Boi de Engenho, eles levam ao mercado cortes selecionados – ou premium – de animais de raças como Angus e Nelore, melhorados para obter carcaça de melhor qualidade e criados por meio de técnicas sustentáveis. Essas técnicas foram implantadas com base em estudos e pesquisas que resultam no aumento da produtividade sem deixar de respeitar o meio ambiente, remetendo a cortes cheios de aroma, maciez, suculência e sabor.
“O Sebrae ajudou bastante na implantação e consolidação do nosso projeto Boi de Engenho. Ajudou tecnicamente, nos levando em visitas e missões onde conseguimos avaliar e entender como outras empresas funcionam. Nos ajudou a trazer uma consultora de fora e realizar o planejamento das ações que faremos nos próximos meses. E também quanto à divulgação do nosso negócio, dando apoio e cedendo espaço no Steak Festival. Se não fosse o Sebrae, não teríamos participado”, defendeu um dos membros da Boi de Engenho, Amarílio Monteiro.
Ele já contava com o atendimento do Sebrae, em 2016, para implantação de técnicas de gestão na propriedade familiar, a Fazenda Camaratuba, em Paulo Jacinto. Quando o convite para ingressar no acompanhamento do Projeto Bovinocultura de Corte chegou, em 2017, não deixou a oportunidade passar.
“Hoje a pecuária, como todos os negócios, é para profissionais. Quem mexer com pecuária achando que é como era há 30 e 50 anos, no tempo de nossos pais e avós, esqueça! Uma fazenda é uma empresa rural que funciona da mesma forma que uma empresa urbana. Precisa ter planejamento, organização, fechar as contas, ter lucratividade, tudo isso que uma empresa comum precisa para funcionar como um negócio, e o Sebrae nos ajuda bastante nisso”, destacou Amarílio.
