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Empresas unem propósito social aos negócios

Esse tipo de negócio vai além de gerar renda e lucros, causam impacto positivo nos desafios socioambientais existentes
Por Débora de Brito, assessora de imprensa do Sebrae
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Solucionar alguns problemas sociais pode ser uma boa fonte de geração de renda. Isso se chama Negócio de Impacto Social. Duas empresas alagoanas estão iniciando a união das atividades para realizar ações de forma colaborativa. As empresas Isobloco e Águias Femme são exemplos dessa visão de negócio: soluções de negócios para problemas socioambientais e também buscar o benefício de um grupo de pessoas, e não um ganho pessoal.

A empresa Águias Femme nasceu de um momento de autoconhecimento da sua idealizadora. Íris Soares sentiu necessidade de fazer a diferença na vida das pessoas após um procedimento delicado de saúde. Com a recuperação após a cirurgia, Íris sentiu que deveria realizar ações para beneficiar as pessoas, mas não sabia como iria fazer isso.

Íris foi ao Sebrae procurar orientação sobre suas pretensões e inspirações, no mês de março de 2019, e conversou com Ana Madalena, analista da Unidade de Atendimento Empresarial e gestora do projeto Negócio de Impacto Social Alagoas. Diante das necessidades e desejos apresentados por Íris, a analista foi compreendendo o potencial de impacto da empresa Águias Femme que desenvolve ações com mulheres em situação de vulnerabilidade, dando oportunidade de geração de renda.

Para maior impacto, Ana Madalena iniciou ações para integrar e conectar empresas e propósitos. No final do ano de 2019, ocorreu o primeiro momento de integração da empresa Águias Femme com a Isobloco, uma startup voltada para a implantação de um novo modelo de construção higrotérmico. As orientações iniciais sobre o produto e o serviço, que as integrantes do Águias Femme podem desenvolver em parceria, foram dadas na Fábrica da Isobloco, localizada em Marechal Deodoro.

Ana Madalena destaca que a intenção é aproximar as empresas de impacto social em Alagoas para fortalecer e potencializar as ações dessa cadeia produtiva. “Ocorreu a integração entre os negócios tanto por causa da visão e propósito em comum, como também por causa da necessidade do mercado por empresas desse nicho”, comemora a analista.

Presente ao treinamento na fábrica da Isobloco, Jack Franciele dos Santos, escutou com atenção as orientações técnicas para instalar o isobloco e colocou a “mão na massa”, aprendendo de forma prática. “O nosso desejo que seja uma porta aberta para o mundo transexual, pois eu sou travesti e há muito preconceito no mercado de trabalho”, explica Jack Franciele dos Santos.

Isobloco

A Isobloco por se tratar de uma startup de impacto socioambiental desenvolve suas atividades com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), atingindo seis dos 17 objetivos.

Há o aspecto importante de inclusão social, pois o sistema de instalação foi projetado para utilizar a mão de obra já existente na construção civil e de qualquer pessoa que receba o treinamento, de no máximo quatro horas, ao contrário da maioria dos sistemas vigentes no mercado, que demandam tempo e especialização de equipes da construção civil. O produto da startup apresenta também o benefício de reduzir o desperdício, uma vez que 100% das sobras do isobloco podem ser reaproveitadas na obra.

“O que eu venho descobrindo, desde que entrei nesse processo de inovação, tecnologia, startups, é que, às vezes, você não sabe nem aonde o seu negócio ainda vai tocar. Pode tocar muito mais longe do que você imaginava”, vislumbra o engenheiro Henrique Ramos.

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