O estudo Global Entrepreneurship Monitor de 2017, realizado por meio de uma parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontou que 51% dos empreendedores brasileiros são negros. No entanto, segundo a pesquisa, os empresários negros correspondem a apenas 1% do grupo de empreendedores brasileiros que lucram de 60 mil a R$ 360 mil, ou seja, a população negra é a parcela que mais abre negócios no país, mas é também a que menos fatura.
Diante da relevância do afroempreendedorismo para a economia do país e da necessidade de discutir o cenário de desigualdade que impacta diretamente as atividades empreendedoras dessa parcela significativa da população brasileira, o Sebrae em Alagoas, por meio de uma parceria com a Rede Cenafro, realizou um webinar para abordar o protagonismo negro no mundo dos negócios.
Realizado gratuitamente no dia 26 de agosto, o evento contou com a participação do consultor de inovação social da empresa Semente, Thales Machado, da fundadora e CEO do Black Rocks Startups, Maitê Lourenço, da cofundadora do Alagoas Criativa, Érica Rocha, da coordenadora do projeto Afrofuturo, Morena Mariah, e da cofundadora da Vale do Dendê, Ítala Herta. As analistas do Sebrae Alagoas Ana Madalena Sandes e Débora Lima, e o coordenador da Rede Cenafro, Jonathan Silva, fizeram a mediação do webinar.
Inicialmente, o consultor de inovação social Thales Machado abordou o tema “Negócio de impacto social na geração de impacto positivo através do afroempreendedorismo”. Ele defende que o afroempreendedorismo tem contribuído com a inclusão da população negra no mercado de trabalho. “O afroempreendedorismo se apresenta como uma questão de sobrevivência e de colocação desses empreendedores no mercado de trabalho. Então, se a gente se depara com essa problemática que nos exclui, o afroempreendedorismo resgata a nossa autonomia, a nossa autoestima e ainda gera renda e emprego”, colocou.
Durante o evento, a CEO da Black Rocks Startups, Maitê Lourenço, discutiu o tema “Os códigos do afroempreendedorismo”. Durante a fala, ela destacou a importância das discussões propostas pelo evento para a visibilidade do negro no mundo dos negócios. “Eu acho que é super importante a gente ter espaços como esse, de discussão, falando sobre o empreendedor negro. A importância dessa discussão é que a gente precisa, sim, evidenciá-la, trazer mais informações, mais dados, mais luz para que a gente possa, em determinado momento, construir políticas voltadas para esse público e como consequência dessas políticas ações que transformem a forma como a gente está sendo excluído”, destacou.
O tema “Afroempreendedorismo criativo” foi abordado pela cofundadora do Alagoas Criativa, Érica Rocha. Segundo ela, desenvolver o afroempreendedorismo, sobretudo no segmento da economia criativa, também é uma forma de combater os efeitos do racismo. “Esse é um momento de reafirmar esse nosso empenho para que o afroempreendedorismo se desenvolva em Alagoas e que a gente combata, por meio desse desenvolvimento, o racismo estrutural, que ainda é tão presente em Alagoas. Alagoas é um estado de grandes potências criativas e a gente precisa mais do que nunca buscar entender dentro da economia criativa esses recortes raciais”, afirmou.
A coordenadora do projeto Afrofuturo, Morena Mariah, levou para a discussão o tema “Afrofuturismo: um novo olhar para o empreendedorismo preto”. Segundo ela, o afrofuturismo impacta na forma como a população negra se entende e se projeta na sociedade. “Afrofuturismo é um movimento muito amplo, que não vai falar apenas sobre arte, mas também vai afetar as ciências, a filosofia, a política, a forma como a gente percebe o mundo. Então, esse movimento de olhar para o futuro pode trazer uma série de consequências e a gente começa a se movimentar para que esse futuro se torne realidade, pois a gente sabe que ainda existem barreiras que impedem pessoas negras no geral de viverem a vida plenamente”, explica.
A cofundadora da Vale do Dendê, Ítala Herta, encerrou o evento abordando o tema “Formação de redes: sou o que sou pelo que nós somos”. Ela falou sobre a importância das redes de apoio para o fortalecimento dos negócios ligados ao afroempreendedorismo. “Devemos entender que a gente não está sozinho e que se conectar é o lugar mais potente para empreender também. Todo empreender precisa ter uma rede de apoio, sobretudo as mulheres. E é importante você criar a sua rede de apoio e estabelecer nela um lugar seguro’, defende.
Atendimento remoto do Sebrae em Alagoas
Mesmo diante do isolamento social, devido ao novo coronavírus, os empresários da pequena empresa podem contar com o Sebrae. A equipe do Sebrae está mobilizada para atender as demandas dos empresários, que também podem contar com a estrutura de cursos online e gratuitos do portal EAD Sebrae com mais de 100 opções de cursos, basta acessar https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/cursosonline.
O empresário pode entrar em contato com a instituição pelos canais remotos e digitais, como o portal sebrae.com.br/alagoas, Telegram (t.me/sebraealagoas), Telefone e WhatsApp 0800 570 0800, chat e e-mail fale.sebrae.com.br, Instagram (@sebraealagoas), Twitter (@sebraealagoas), Facebook (/SebraeAlagoas), Youtube (@sebraealagoas) e o LinkedIn (Sebrae Alagoas).