A economia criativa traz desenvolvimento ao turismo e aos atores envolvidos, além de fortalecer e criar territórios, e uma sensação de pertencimento. Esses foram alguns dos assuntos da webinar “Inovando a oferta turística com economia criativa”, apresentada nesta segunda-feira (23), penúltimo dia do MCZ Play 2020. O evento, realizado pelo Sebrae em Alagoas, foi gratuito e reuniu grandes nomes do mercado nas áreas de inovação, economia digital, negócios de impacto social e ambiental e economia criativa e que termina nesta terça (24).
A condução da palestra foi de Karina Zapata, empreendedora social da rede Nacional de Turismo Criativo (Recria) e consultora de estratégias de desenvolvimento da economia criativa na perspectiva territorial. Ela abriu sua fala ressaltando a importância da união entre os atores culturais, as comunidades, em torno de um objetivo comum. “Quando a gente está desarticulado, difuso, sem propósito, vemos como ficamos fragilizados. Os segmentos, as organizações que uniram seus sonhos em torno de um projeto, em torno de um objetivo comum, se saíram à frente”.
O primeiro conceito explicado por Karina foi de território, que, apesar do que muita gente acredita, não é exatamente relacionado a um espaço físico. Na verdade, ele se refere a pessoas. “Território é o espaço onde a vida acontece. É o espaço real, as pessoas em seus fluxos, em seus movimentos, onde trabalham, estudam. É o espaço da vida. Território é formado por pessoas. Cada uma tem sua inteligência. Um professor me disse que um território precisa ser atrevido. Só fui entender isso quando compreendi que um território são as pessoas. Elas podem ser atrevidas, ter um olhar e postura à frente de seu tempo”, afirma a palestrante.
Ela continua dizendo que “quando esse território consegue organizar suas forças sociais, é a capacidade do território se articular em rede, cooperativas, conselhos, atuando com representações na Câmara. É a capacidade de mobilização da inteligência, da governança. Quando o território consegue organizar essa força social e sua força cultural – suas expressões, criatividade, significado – agem de forma integrada e sinérgica, o território se desenvolve de forma inteligente e sustentável”.
O território se desenvolve apenas se seus atores assim quiserem. É preciso resolver questões importantes na base da pirâmide antes disso. Mas tão importante quanto é fazer com que todos trabalhem em conjunto. “É o desenvolvimento que gera o dinheiro, e não o contrário. Não é o dinheiro que muda, é o entusiasmo, outras moedas sociais. Esse entusiasmo atrai o investidor, a academia, a política pública”, diz Karina.
Complexidade e heterogeneidade são características importantes dos territórios. O desafio está em encontrar convergência na divergência, construir unidade na diferença.
“Inovação não é receita de bolo. É método. A partir disso, do método participativo, do design thinking, a gente consegue criar uma unidade mínima para desenvolver o território. Nos municípios encontram-se simultaneamente o conflito e a colaboração”, ressalta.
O papel da cultura no turismo
“O desenvolvimento territorial acontece quando iniciativas locais usam a capacidade criativa e de união, conhecimentos da população, habilidades criativas, para transformar continuamente a economia e a sociedade. A cultura oferece uma perspectiva humana ao desenvolvimento, eleva a autoestima, fortalece o pertencimento, contribui para o fortalecimento turístico do território”, pontua a palestrante.
O turismo criativo, ainda segundo ela, tem a capacidade de extrair dos territórios o seu melhor, fazendo com que não se olhe para o que falta, mas sim para sua capacidade, para sua potência. “O turismo criativo reúne pessoas e lugares, em que os visitantes co-criam experiências com o anfitrião, envolvimento com a comunidade local, práticas criativas com identidade local, aprendizagem mútua, diálogo com o território e valores simbólicos e com significado. Ele revela a identidade do local, é singular, tem um ticket mais alto e proporciona ao turista ser personagem também. Ele encanta as pessoas pelo coração”, afirma.
Criatividade é definida como a capacidade de “fazer diferente para fazer melhor”, e precisa ser treinada como um músculo. Quanto mais você a usa, mais forte ela fica e mais criativo você se torna. Isso faz com que os pensamentos limitantes sumam.
“A criatividade é a imaginação aplicada. Quando eu imagino, eu aplico, eu crio. A liberdade imaginativa é importantíssima. É ter uma mente aberta e atenta, usando a nossa capacidade imaginativa, colaborativa e realizadora para contagiar os territórios com coisas legais. Não espere para criar. Faça, realize, e no caminho vai lapidando o que precisar. Não tenha medo”, diz Karina.
O turismo criativo tem mais uma particularidade. “Não é você que visita o lugar, mas o lugar que te visita. O turismo criativo tem processo e tem produto. Ele só acontece se tiver um conjunto sinérgico de processo e produto. A matéria-prima do turismo criativo são as pessoas. O turismo criativo é sobre o intangível. A força está nos atores locais”.
A importância das redes
“Esse é o tema mais importante. As redes de cooperação são ágeis e descentralizadas. É conexão, troca profunda de ideias, projetos, habilidades e aprendizagens, influenciando uns aos outros de maneira sinérgica. Todo dia eu aprendo, desaprendo e reaprendo na Recriar. Eu testo ideias na própria rede. É um ambiente profundo, com uma reciprocidade de vários para vários”, explica Karina.
Ela conclui dizendo que “turismo criativo é uma tecnologia pessoal. Oferece estratégias de mudança e ação organizada, com protagonismo local, cooperação dos atores, gestão de compromissos, cultura empreendedora, ambientes de aprendizagem e inovação, parcerias relevantes com o mercado, sociedade e poder público. Desenvolve o território, permite que eles se expressem e as pessoas alcancem seu melhor. Todo mundo sai ganhando. Tem que sonhar, ousar, realizar visões, se livrar das crenças limitantes. Tudo o que eu mostrei foi mudança de paradigma. Sempre existe uma forma de melhorar algo. Encontre-a”.
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