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Mulheres no Varejo 2.0 fortalece negócios e valoriza o desenvolvimento de empreendedoras

Trilha do Sebrae Alagoas reuniu 28 empresárias em uma jornada de evolução empresarial, com capacitações, mentorias e conexões
Por Lílian Santos
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Conciliar a gestão de um negócio com as responsabilidades da casa, o cuidado com os filhos e a atenção à própria saúde é um desafio para muitas mulheres empreendedoras. No varejo de Alimentos e Bebidas, essa rotina exige ainda mais organização para garantir o bom funcionamento e o crescimento da empresa. Diante dessa realidade, o Sebrae Alagoas realizou a segunda edição do Mulheres no Varejo, com uma proposta que une o desenvolvimento dos negócios ao das mulheres que estão à frente deles.

Em Alagoas, a presença feminina no empreendedorismo é expressiva. Dados da Junta Comercial do Estado de Alagoas (Juceal) apontam que, dos 105 mil negócios são liderados por mulheres, o comércio reúne 42.347 empresas e o setor de alojamento e alimentação contabiliza 12.888. Por trás desses números, estão empreendedoras que precisam lidar com as demandas dos clientes, controlar as finanças e liderar equipes.

Dados da Juceal mostram o crescimento do empreendedorismo feminino em Alagoas

Foi com o propósito de fortalecer a gestão e ampliar as oportunidades de crescimento que o Mulheres no Varejo 2.0 reuniu 28 empresárias, entre junho e outubro, em uma jornada de evolução empresarial. A programação incluiu capacitações, mentorias e atividades sobre gestão, liderança, comunicação, sustentabilidade, inovação e desenvolvimento pessoal.

As trajetórias de Amanda Silva, da Beto da Fruta, e Nicélia Moura, da Sabor Divino Salgados Congelados, mostram como os conhecimentos adquiridos e as conexões construídas ao longo da iniciativa têm gerado impactos empresariais e pessoais.

Conhecimento e acolhimento para transformar a gestão

À frente da gestão da Beto da Fruta, empresa familiar fundada pelo pai em 2010, Amanda Silva passou a atuar mais diretamente no negócio há cerca de dois anos. Ao assumir essa responsabilidade, percebeu que a empresa estava crescendo, mas precisava rever práticas tradicionais e organizar processos para acompanhar o aumento da demanda.

Além da comercialização de frutas, a empresa ampliou seu portfólio com produtos como sucos, saladas e doces. O crescimento trouxe novas necessidades, como estruturar a operação, contratar funcionários, formalizar processos e aprimorar a gestão. Com a necessidade de ampliar seus conhecimentos para acompanhar a evolução da empresa, Amanda encontrou no Mulheres no Varejo uma oportunidade de aprendizado e troca de experiências.

Mais do que orientações para a gestão, a trilha se tornou um espaço de acolhimento em meio à rotina intensa do empreendedorismo. “É uma oportunidade de sair um pouco da empresa, adquirir conhecimentos importantes e, principalmente, construir conexões com outras empresárias. Compartilhar as mesmas dificuldades, ouvir histórias de mulheres que já superaram desafios e perceber que outras estão passando por situações semelhantes proporciona um suporte emocional muito importante”, afirma.

A experiência também mudou a forma como Amanda encara as próprias responsabilidades. Ela passou a buscar mais equilíbrio na rotina e a lidar com as cobranças de maneira diferente. “Tenho aprendido a não me cobrar tanto nem levar meu corpo ao limite em busca de aprovação. Continuo querendo resultados, mas procuro alcançá-los de forma mais saudável, com paciência e respeitando o tempo de cada processo”, destaca.

Amanda Silva, da Beto da Fruta, encontrou no Mulheres no Varejo novas ferramentas para aprimorar a gestão da empresa familiar e buscar mais equilíbrio. Foto: Julio Vasconcelos

Conexões que impulsionam o crescimento

Se para Amanda a trilha representou um espaço de acolhimento e desenvolvimento pessoal e empresarial, para Nicélia Moura, da Sabor Divino Salgados Congelados, a experiência reforçou a importância das conexões para o crescimento do negócio.

A empresa surgiu da vontade de Nicélia de preparar opções de lanches para os filhos pequenos. A partir dessa necessidade, ela buscou cursos para aprender sobre a produção de salgados e, ao perceber o potencial da atividade, decidiu empreender. Com o apoio do Sebrae, por meio da consultoria de Helena Menezes, recebeu orientações para aprimorar o negócio.

A jornada no Mulheres no Varejo ampliou sua compreensão sobre a gestão empresarial e contribuiu para que reconhecesse o próprio potencial. Entre os resultados alcançados, Nicélia destaca as conexões construídas durante os encontros.

“O principal ganho foi justamente a conexão com as pessoas certas, nos lugares certos. Antes, eu me sentia mais intimidada e tinha dificuldade de apostar naquilo em que acreditava. Durante a trilha, comecei a perceber que posso buscar oportunidades, correr atrás do que quero e confiar mais na minha capacidade de fazer acontecer”, afirma.

Ainda em fase de estruturação, a Sabor Divino já apresenta avanços. Segundo Nicélia, o faturamento passou de um crescimento de 10% para 30% durante o período de desenvolvimento do negócio. “Acredito que o Sebrae e as mulheres do projeto aceleraram esse processo. As orientações e as conexões nos permitiram enxergar caminhos e oportunidades que poderiam demorar mais para serem percebidos”, avalia.

À frente da Sabor Divino Salgados Congelados, Nicélia Moura destaca as conexões e os conhecimentos adquiridos na trilha do Sebrae. Foto: Julio Vasconcelos

Mulheres no Varejo 2.0

Criado a partir das necessidades identificadas entre empresárias do segmento de Alimentos e Bebidas, o Mulheres no Varejo teve sua primeira edição em 2025, como projeto-piloto. A iniciativa abordou desafios relacionados à gestão financeira, liderança, logística e inovação. Na edição de 2026, a proposta foi ampliada. A trilha, realizada de junho a outubro, passou a ser uma jornada de evolução empresarial, com foco na aplicação prática dos conhecimentos e no desenvolvimento da mulher que conduz o negócio.

A programação incluiu atividades sobre comunicação pessoal e empresarial, presença digital, gestão de pessoas, pró-labore e sustentabilidade. As participantes também receberam mentorias e tiveram oportunidades de participar de missões empresariais e eventos, ampliando as conexões com outras empreendedoras e potenciais parceiros comerciais.

Oficina Vivencial

O encerramento das atividades aconteceu no dia 14 de outubro com uma oficina vivencial dedicada ao desenvolvimento pessoal e ao bem-estar das participantes. O encontro reuniu momentos de meditação, reflexão sobre a transformação do conhecimento em ação e uma oficina sensorial de oleoterapia.

A proposta foi estimular as empresárias a sair temporariamente da rotina de trabalho e dedicar atenção ao próprio corpo, à respiração e às emoções. A atividade reforçou a proposta do Mulheres no Varejo 2.0 de considerar não apenas o desenvolvimento dos negócios, mas também o bem-estar das mulheres que estão à frente deles.

O encontro também contou com uma palestra, realizada pelas facilitadoras Desirée Faráh e Márcia Barbosa, com foco em transformar todo conhecimento adquirido ao longo da jornada em mudança real para o negócio.

O encerramento do Mulheres no Varejo 2.0 contou com meditação, atividades sensoriais e reflexões sobre bem-estar. Foto: Julio Vasconcelos

“As participantes compreenderam que, ao se conectarem com outras mulheres e se capacitarem continuamente, conseguem levar novos aprendizados para os negócios, os funcionários e até os familiares. É todo um ecossistema que se beneficia quando os negócios se desenvolvem. Para colher resultados diferentes, é preciso ter atitudes diferentes. Esse é um dos maiores aprendizados do projeto”, pontua Agda Bomfim, analista do Sebrae Alagoas à frente do Mulheres no Varejo.

O encerramento da trilha marca o fim de uma etapa, mas não das oportunidades de desenvolvimento. A proposta é que a jornada continue reverberando na gestão dos negócios e na vida das empreendedoras, fortalecendo a aplicação do conhecimento, a construção de redes de apoio e a visão de futuro.