Outro painel apresentado no MCZ Play, evento promovido pelo Sebrae Alagoas, presencial e online, durante a tarde da última sexta-feira (20), Dia da Consciência Negra, trouxe a temática da Gestão de Afronegócios. O painel foi formado por Rejane Soares, mestranda em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e Jonathan Silva, cofundador da Rede Cenafro e CEO da Formmer Afro e consultor. O painel foi mediado por Raíssa Aryadne, estudante de Economia e produtora de conteúdo para o Instagram (@agranadagente).
A analista da Unidade de Soluções e Inovações do Sebrae Alagoas, Ana Madalena Sandes, começou o painel com a seguinte provocação: “por que temos que falar desse assunto e chamar esses negócios de afroempreendedorismo?”.
Jonathan Silva inicia o painel respondendo o questionamento e destacando que o afronegócio traz consigo a questão do afeto, a ligação com os ancestrais e o protagonismo único de pessoas pretas. “Temos que falar sobre afroempreendedorismo porque dentro dos nossos negócios buscamos trazer e evidenciar a nossa ancestralidade, valorizar o nosso legado deixado pelos nossos ancestrais, criando diferenciais. Eu acredito muito nisso. O povo que saiu por meio da diáspora preta e trouxe uma bagagem cultural, de criatividade, de inovação”, afirma Jonathan Silva.
Já Raíssa Aryadne abordou a inovação no afronegócio e o motivo pelo qual a sociedade deve falar mais sobre a temática. “Primeiro, porque somos metade da população brasileira. Segundo, porque a cada ano o número de afronegócios no Brasil só faz crescer, mesmo assim ainda somos a categoria que ainda enfrenta mais dificuldades na hora de conseguir crédito para investir nos negócios. E o terceiro motivo é a solidão e a luta contra o racismo”, pontua.
Como inovar longe dos grandes centros e nas periferias?
Após debater sobre o potencial, contexto social, modo de viver e enxergar dos afroempreendedores das periferias, Rejane Soares deixa duas dicas importantes para quem quer inovar na periferia e no interior. “Seja pioneiro. Conheço muitas cidades do interior e a maioria delas não tem os serviços que a capital oferece. Identificar quais são as carências e tentar levar de forma nova, ser o primeiro a oferecer determinado produto ou serviço. Seja criativo. A criatividade é outra característica importante do negócio de periferia. Quando pesquisamos um pouco, vemos coisas muito criativas”, destaca Rejane.
De São Miguel dos Campos, Raíssa Aryadne, diz que o segredo é estudar, observar as carências do local e repensar a cidade. Durante a pandemia fez cursos online, um deles sobre aprendizagem criativa, capacitação que lhe ajudou a produzir conteúdo para seus conterrâneos e seguidores.
“Se para uma pessoa não preta estudar é importante, para nós, isso é essencial. Não tem como separar. Com estudo, vi que dá para ser inovador no interior, observando o local, abrindo a cabeça. Fazendo esse exercício, observei que as pessoas da minha cidade tinham dificuldade com grana, mas não entendiam muito bem o que, por exemplo, a Nathalia Arcuri falava. Aí trouxe esse conteúdo com irreverência com o foco nessas pessoas”, conclui.
Ao fim do painel, Ana Madalena também responde a sua própria provocação. “As pessoas perguntam por que temos que chamar de afronegócios? Por que empreendedorismo feminino ou Empreendedorismo LGBTQIA+? Em momentos como esse tudo faz sentido e as pessoas conseguem se conectar com que a gente apresentou aqui. As pessoas precisam compreender o motivo de fortalecemos esses movimentos: ainda não estamos em igualdade”, finaliza.
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