ASN AL
Compartilhe

Empreendedorismo LGBT: MCZ Play promove palestra sobre redes para construção de política de equidade

Palestra foi apresentada pela ativista e travesti Brenn Souza; segundo ela, a construção de políticas públicas que atendam aos mais necessitados passa pela colaboração de todos
Por Derek Gustavo - Savannah Comunicação Corporativa
ASN AL
Compartilhe

O MCZ Play 2020, evento gratuito do Sebrae Alagoas, abriu espaço no último sábado (21) para a troca de ideias a respeito do empreendedorismo LGBTQIA+. A palestra que fechou o dia tratou sobre esse tema, com foco na “Formação de redes colaborativas na construção de políticas de equidade”, atitude necessária para atender as necessidades dos grupos mais vulneráveis.

A palestra foi apresentada por Brenn Souza, acreana de 24 anos, travesti, embaixadora voluntária na startup Todxs Brasil, colunista trans da Mídia Ninja e diretora do blog Galeria Trans. Ela também é co-fundadora de uma companhia teatral do projeto Trans Espaços. “Começo trazendo dois conceitos básicos para a gente entrar nessa conversa e percorrer um caminho massa. ‘Colaborativa’ ou ‘Colaboração’? Quando se fala nisso buscando conceito, a gente vai encontrar diversas ramificações desses termos, que são genéricos, fáceis de usar e se encaixam em vários processos. Em sua etimologia, eles trazem os termos ‘laborar’ e ‘ação’, colaborar com uma ação em coletivo”, explica Brenn.

Outro ponto levantado por ela, e que está incluído nessa questão da colaboração, é a equidade: reconhecer que todas as pessoas necessitam de atenção, mas não necessariamente dos mesmos atendimentos. É como acontece em uma unidade de saúde do SUS. Ela atende a todas as pessoas que chegarem, mas aquelas em situação mais grave passam na frente.

“Aqui a gente precisa diferenciar equidade e igualdade. Na igualdade, quem tem mais continua com mais, quem está na média continua na média e quem tem menos, não chega a lugar algum, porque tudo foi dividido igualmente. Já na equidade, a gente vai pegar de quem tem mais e colocar para quem mais necessita”, afirma.

É aí que entram as redes colaborativas. “Para entender as redes, temos que voltar para os anos 1960, onde ocorreu a primeira formação de uma rede do tipo, em prol da população LGBTQIA+, após o caso de Stonewall, a guerra contra a polícia. Ali inicia a construção de uma rede de pessoas para o auxílio mútuo. Aqui no Brasil, o movimento LGBT surge nos anos 1970, 1980. Na década seguinte, surge o movimento trans organizado”.

Brenn acredita que no Brasil atual as redes colaborativas, de construção coletiva de políticas públicas, são extremamente importantes e precisam de expansão. “Teríamos que pensar numa forma para que todos esses movimentos organizados, pautados dentro de seus núcleos, dentro de suas pautas, das suas necessidades fossem expandidos e linkados a outros movimentos, outros processos, entrando em contato com empresas, pessoas políticas que tenham essa abertura. Um bom exemplo são os mandatos coletivos. Através de uma rede, nós, minorias, podemos propor políticas públicas e levar essas propostas para os grandes centros [da política], como Brasília, por exemplo”, diz.

As redes colaborativas também podem ajudar no atendimento de pautas importantes a todos. “Outra forma da gente pensar essas redes colaborativas é na construção de políticas públicas de equidade. Enquanto movimento, a gente tem que se ouvir. Acho importante a gente entender quais pautas dentro do nosso meio são necessárias para serem de fato pautadas, quais processos precisam ser conversados, vistos, pautados, para a gente conseguir as políticas públicas e atendimento a quem precisa mais”.

Ainda de acordo com Brenn, “é preciso reconhecer a necessidade dos grupos específicos, a necessidade específica de pessoas pretas, trans, lésbicas, gays, bissexuais. Isso pode ser iniciado através de redes colaborativas regionais e culminando em um grande encontro nacional de redes colaborativas, aquela formação de pessoas que estão ali pensando políticas de equidade”.

O mais importante, ainda segundo a palestrante, é que com a formação desses grupos, é possível reduzir o impacto das diferenças sociais. “A gente tem que sair dessa bolha de que somente algumas pessoas precisam de atenção e buscar quem realmente precisa. Pensando nessa forma, nessas redes colaborativas, de políticas públicas de equidade, a gente consegue reduzir o impacto de diferença. A gente nunca vai alcançar a igualdade. Mas quando pensamos nas redes de políticas colaborativas, estamos pensando em uma rede de pessoas em movimento, que trabalham em conjunto para entender as necessidades de cada segmento, para que todas possam ser alcançadas”.

Ela conclui dizendo que “a partir disso, a gente chega no poder público e pressiona, enquanto rede, em nível nacional, e em cima disso, construir políticas públicas para os menos favorecidos. Não pensar somente em política, onde só é favorecido quem tem mais e tira-se de quem tem menos. Equidade é o contrário. É entender que, dentro dessa rede, a gente vai dar mais a quem tem menos e buscar políticas públicas que olhem para essa população”.

Contato para a imprensa:

Assessoria de Imprensa do Sebrae Alagoas

Débora de Brito

(82) 99162-5416

[email protected]