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Saber se adaptar a um mundo em mudança: webinar de Felipe Anghiononi abre o MCZ Play 2020

Publicitário, empreendedor, professor e sócio-fundador da Perestroika, escola de metodologias criativas, falou por 2 horas sobre a nova realidade que se coloca à frente das empresas e empreendedores
Por Derek Gustavo - Savannah Comunicação Corporativa
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A importância da adaptação a um mundo que passa por mudanças cada vez mais rapidamente. Esse foi o ponto central da webinar “Gestão e Liderança do Novo Mundo”, comandada na noite dessa terça-feira por Felipe Anghinoni. Essa palestra foi a abertura do MCZ Play 2020, evento gratuito do Sebrae Alagoas que reúne grandes nomes do mercado nas áreas de inovação, economia digital, negócios de impacto social e ambiental e economia criativa. O MCZ Play acontece de 17 a 24 de novembro, nos formatos presencial e online, integrando a programação local da Semana Global do Empreendedorismo, evento que tem o Sebrae Alagoas como uma das instituições envolvidas em sua realização.

Felipe Anghinoni é publicitário, empreendedor, professor e sócio-fundador da Perestroika, escola de metodologias criativas. Por 2 horas, ele falou a respeito da nova realidade que se coloca à frente das empresas e empreendedores.

“Não estamos vivendo uma era de mudança. A gente está vivendo uma mudança de era. Na minha visão, era de mudança é pouco para representar o que está acontecendo. Essa mudança é a Covid-19? É a quarentena? É o home office? A mudança é muito maior do que a maioria das pessoas enxerga. Acho que estamos vivendo uma troca de sistema econômico, social, global, de exploração da natureza. A gente está vendo a mudança, que não vai acontecer da noite para o dia, mas vai acontecer”, afirma Anghiononi.

Ainda segundo ele, desde a década passada a humanidade presencia sinais que mostram essa mudança, como desastres naturais, terrorismo, acidentes com centenas de vítimas, ameaças de guerras e doenças, além de convulsões políticas e, mais recentemente, o coronavírus, que há dois meses já era responsável pela falência de 522 mil empresas, segundo a Infomoney.

“As coisas estão mostrando que o jeito que a humanidade vem fazendo as coisas saturou, precisa mudar. A pergunta que fica é: estamos vivendo uma crise ou apenas a era de Aquário?”, questiona.

“André Carvalhal diz que o que os astrólogos chamam de ‘era de Aquário’ é o que os economistas chamam de capitalismo consciente, e que precisamos de uma transformação dentro e fora urgentemente. Ele diz ainda que as pessoas olham de perspectivas diferentes, chamam de nomes diferentes, mas é o mesmo fenômeno. Algumas coisas funcionavam de um jeito, mas agora não funcionam mais”, explica o palestrante.

Ele segue dizendo que é visível a forte polarização da nossa sociedade. Em sua visão, há um novo software (novas ideias) rodando, que exige um novo hardware, que aqui ele compara com as instituições, como a igreja, o governo. As empresas, independente do tamanho, também precisam acompanhar essas mudanças para não ficarem para trás.

“Como evoluir sem perder a capacidade de pagar as contas? No mundo das startups na economia criativa, ‘todo mundo vai trabalhar de casa’. Aí pega uma empresa que tem prédios, frota de carro, milhões de custo fixo. Não dá para mudar tudo de repente, porque há contas a pagar. Eficiência paga as contas, está ligada à manutenção e sobrevivência do negócio. Eficácia faz a empresa avançar. Está ligada à inovação, evolução”, diz.

A situação ideal, segundo Anghinoni, é que as empresas tenham alta eficiência e alta eficácia, o que gera prosperidade, que é a habilidade de evoluir e manter a organização viva.

“Quando se tem uma gestão que trabalha voltada para a eficiência, se tem objetividade, gerando produtividade, controle de qualidade, linearidade, simplicidade, reprodutibilidade, negócio. Agora, quando a gente vai buscar a eficácia, teremos gestão da subjetividade, processualidade, erro, exponencialidade, complexidade, criatividade, ócio. Negócio é a negação do ócio”, explica.

“Qual é a mais importante: a gestão da objetividade ou da subjetividade? Eficiência ou eficácia? Para ter prosperidade, as duas precisam andar juntas. Mas qual foi a que nos orientaram, qual foi a que estudamos, qual nos cobraram no emprego? A eficiência. Faz 300 anos que estamos melhorando a eficiência, mas chega num ponto em que ela não melhora mais. Saturou. A eficácia é algo que a gente não trabalha. Ela ficou jogada. Não só ficou jogada como era quase sempre criminalizada, reprimida”, prossegue.

Ele reforça que “hoje, a eficácia se torna importante de novo. Acho que a gente deve se policiar no sentido de incluir a eficácia, dar atenção a ela. O tempo dela é diferente. A gestão da eficácia é a mais rápida e acontece com um espasmo que é muito intenso”.

Nesse ponto, o papel da liderança se torna ainda mais importante, pois o “novo software” – ainda segundo Anghinoni – nos leva para um lugar mais sensível. “Você conversou com seu funcionário, perguntou como está se sentindo? Precisamos ter uma liderança subjetiva, sem deixar de lado a liderança objetiva. Na maioria dos casos, a eficiência é mais cobrada, mas a eficácia precisa estar presente. A liderança objetiva é o chefe que sabe as respostas, que impõe, que manda, é o herói erguido pela equipe. O líder subjetivo é o facilitador. Não tem as respostas, mas busca com seus colaboradores, pergunta como as pessoas se sentem, entende as dificuldades que enfrentam, inclusive no âmbito pessoal”.

“A empresa, o empresário que colocar a equipe no limite da performance, provocando até burnout, isso conta pontos negativos para a empresa. O alto desempenho e a alta performance vêm através da liderança. A gente já vem fazendo muita coisa muito rápido. Talvez esteja faltando essa conexão com as pessoas, saber conversar. Será que as chefias estão prontas para essas conversas? Não estou dizendo para abandonarem a eficiência, a produtividade e o que interessa é paz e amor. O que digo é, se você botar 5%, 10% de tempo nessas questões, os resultados vão aparecer”, reforça o palestrante.

Com essas mudanças constantes no mundo, o momento é propício para as empresas que estão começando agora e que podem ter uma capacidade de adaptação maior. “Quem está iniciando empreendimento, tem que pensar que isso é bom, porque está havendo toda essa mudança e é muito mais fácil dar a volta na canoa do que no Titanic. É o benefício de não ter que se desfazer de aluguel, de um monte de funcionário. Quem está começando pode já ir organizando seu negócio com os valores que estão emergindo. É preciso ficar de olho nas coisas que estão acontecendo para mirar e identificar a coisa nova. Além disso, é preciso pensar sempre online, pensar em celular primeiro, pois as coisas estarão sempre mais rápidas, mais online”.

“Não é o mais forte nem o mais inteligente que sobrevive, mas o que é mais adaptável a mudanças, como entendeu Charles Darwin. Temos que ser rápidos para nos adaptarmos. A gente tem que querer se adaptar. Existe a adaptação forçada, como o caso do home office. Não é qualquer adaptação, é a adaptação intencional: a habilidade de se calibrar rapidamente a um novo contexto, e flexibilidade para desapegar do passado e encarar a nova realidade, mudando o percurso caso seja necessário. Nós fomos programados para seguir um plano de longo prazo e batalhar para que ele funcione, mesmo que falhe”, reforça o palestrante.

Anghinoni conclui com uma mensagem de ânimo: não se desespere por ter que mudar.

“Não é para provocar desespero essa mudança. Estamos vivos vendo a mudança acontecer. Há 5 anos não era assim. Hoje temos as facilidades trazidas pela internet, pelos aplicativos. Nós vamos ver a revolução digital, porque ela vai levar apenas algumas décadas, ao contrário das revoluções anteriores. Ninguém sabe como vai ser. A gente vai inventar, e como vai inventar, vai ser através da liderança, da subjetividade. E vem mais mudanças por aí. É preciso aceitar o não saber. Não sei o que vai acontecer, mas vai, e temos que estar prontos para nos adaptarmos. Não teremos medo da mudança, porque se ela vier, saberemos nos adaptar. Seremos sensíveis, seguiremos a intuição e nos adaptaremos. Precisamos entrar em contato com nossa parte mais sensível. A adaptação vem de entender o novo software”.

Sobre o “não saber”, ele pontuou que “precisamos aceitar o não saber. É muito difícil para a gente. Estamos em um mundo que tem cada vez mais informação, que é difícil acompanhar o que vem acontecendo todo dia. Uma das pessoas mais sábias do mundo foi Sócrates, o primeiro grande filósofo grego. É dele a frase ‘só sei que nada sei’. É a tomada de consciência da própria ignorância”.

“Quanto mais você sabe, mais sabe que não sabe. Quanto mais conhecimento, você aumenta o limite entre o que é conhecido e o que não é, e descobre que não sabe de nada. É preciso que aceitemos esse ‘não saber’. Um líder precisa ter presença, saber avançar mesmo quando não tem a resposta”.

Contato para a imprensa:

Assessoria de Imprensa do Sebrae Alagoas

Débora de Brito

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