A consultora, empreendedora, palestrante e um dos “tubarões” do programa Shark Tank Brasil, Camila Farani, fechou o segundo dia do MCZ Play, evento do Sebrae Alagoas com programação gratuita, que iniciou dia 17 e vai até o dia 24 de novembro. Sua palestra tocou em um tema importante para quem empreende: “Inovação como forma de alavancar a sua empresa”.
Falando com a experiência bem-sucedida de 20 anos na área do empreendedorismo, sendo investidora em 45 startups e tendo criado todo um ecossistema de empresas, Camila abriu o evento destacando que a inovação, o desejo de inovar, deve vir de dentro.
“Inovação é um processo de dentro pra fora, porque se não está dentro de você, muito dificilmente você colocará dentro da sua empresa. Você precisa entrar em um processo de conhecimento, autoconhecimento. É preciso entender a importância de ser resistente à frustração e à pressão. É preciso aprender a ressignificar os problemas”, afirma.
Ela destaca ainda que é preciso encontrar o seu propósito, aquilo que te move, pois assim os problemas se tornam menores. “Parem para pensar nisso. Quanto mais você vai tateando aquilo que te move [sua motivação], você consegue ser uma pessoa que naturalmente consegue implantar e ser produtivo no seu negócio. É importante que cada vez mais você entenda o que te motiva, o que te legitima. É isso que vai fazer com que você tenha um diferencial competitivo no seu negócio”.
E é a partir da busca por esse diferencial competitivo que surge a inovação, que é uma mudança significativa e positiva, um resultado, como pontuou Camila em sua apresentação. “Inovação precisa gerar resultado. É algo que você trabalha até alcançar. Alguns dos tipos de inovação são: incremental, que traz pequenas melhorias a serviços ou processos existentes; de produto, que melhora algo, gerando novo valor para o cliente; de processo, como o atendimento bancário, que agora você pode fazer pelo celular; de serviço, que introduz um novo serviço ou um significativamente melhorado, que gera novo valor para o cliente; de modelo de negócios, que inova nos modos de criação, entrega e captura de valor – como no caso da Netflix, por exemplo; disruptiva, que desloca empresas ou indústrias estabelecidas”.
Camila prossegue dizendo que “a pergunta que temos que fazer é: qual é o próximo ciclo que pode vir a destruir o meu negócio? Essa pergunta nos faz pensar como está o seu mercado. É importante pensar nisso porque é a próxima onda do comportamento do consumidor. Ou você inova ou inova. O que te trouxe até aqui não necessariamente vai te levar para frente”.
Caminho a ser trilhado
De acordo com a palestrante, a inovação é um processo e segue alguns passos importantes e peculiares.
“O primeiro é definir os objetivos, o público-alvo. Identificar os insights de público, quais suas insatisfações, pois são elas que direcionam para onde você quer chegar. Aí você oferece propostas únicas e valiosas. Não adianta oferecer o que todo mundo oferece, mas é preciso testar para aprimorar. Isso é um experimento. Inovação só pode ser considerada inovação quando ela ganha resultado. Aí você mensura e escala o que funcionou”, explica.
Ela cita o exemplo do Booking, aplicativo para reserva de hotéis. “Por mês, o aplicativo faz mais de 1.500 experimentos na plataforma, mobile ou web. Vê qual tipo de botão é mais clicado, se a pessoa quer viajar para fora ou não, sugestões de viagem, e-mails. Ele faz isso com todo mundo, porque com esses experimentos ele consegue mapear esse comportamento. Se você não pode fazer algo assim, faz na mão, na rede social”.
Outro ponto importante é o fato de que cada vez mais o processo de inovar se torna aberto. Antes restrito aos limites da empresa, hoje ele vai além, envolvendo as pessoas ao redor dela também.
“Exemplos de inovação aberta, como o corporate venture, o working space, hackathons, trazem pessoas para criar soluções. Mas, alguém pode me perguntar, ‘como faço isso se minha empresa só tem eu?’. Chame um grupo de pessoas. Quando eu estava quase falindo o meu quinto restaurante, chamei as clientes para dar refeições e receber feedback. Chamem pessoas próximas para dar insights, mas saiam do lugar”, sugere.
E como destravar esse processo? “Construa equipes colaborativas. Não puna o fracasso. Crie a cultura de inovação, assim você dá abertura a novas ideias. Se você punir, dizer que não vai dar certo, acaba intimidando as pessoas. Foque nas necessidades do cliente, assim como todas as grandes empresas e não tenha medo ou receio de feedback insatisfeito”.
Os avanços tecnológicos não podem ser ignorados no processo de inovação de sua empresa. A internet está presente no cotidiano de clientes e colaboradores, e a “internet das coisas” vem ganhando um espaço cada vez maior.
“Em 1992, você tinha 1 milhão de objetos com internet. Hoje são 50 bilhões. Quanto mais você pensar que isso está distante da sua realidade, menos vai se diferenciar. É preciso força para romper o status quo. São essas pessoas que estão pensando e executam, já que estão avançando. As inovações estão disponíveis”, alerta.
Camila Farani dá algumas dicas para incluir a internet no planejamento das empresas. “Use o Google Trends e o Google Search Console. Eles ajudam a entender produtos e serviços para você colocar no seu negócio. Se as pessoas procuram mais, elas vão continuar procurando mais. Na rede social é a mesma coisa. Engajamento é importante. Se você tem naturalmente hoje uma tecnologia que te permite, mas você acha que ainda não está preparado, estude, mastigue tudo. Isso não é o futuro, é o presente, a Quarta Revolução Industrial, a revolução dos dados”.
“É preciso criar uma experiência online para a pessoa, inovar a unidade de negócios. Pegue sua semana e separe 1 hora por dia, 30 minutos 3 vezes na semana, para pensar em como inovar seu negócio. Sempre construa algo para você melhorar ou simplificar. Pense rápido, adapte-se constantemente”, explica Camila Farani.
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