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MCZ Play discute LGBTQIA+ no Mercado de Trabalho

Consultor debate mercado de trabalho, ambiente empresarial, avanços e desafios do movimento LGBTQIA+
Por João Paulo Macena - Savannah Comunicação Corporativa
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A diversidade também é fundamental no mundo do empreendedorismo e do trabalho. Diante desse contexto, o MCZ Play, evento promovido pelo Sebrae Alagoas, apresentou na tarde do último sábado (21) a palestra gratuita e online LGBTQIA+ no Mercado de Trabalho, ministrada por Ricardo Sales, sócio da consultoria Mais Diversidade.

Durante a palestra, Ricardo Sales falou sobre a importância de pensar no universo do empreendedorismo, mas também no emprego formal ofertado por pequenas e grandes organizações, lugares onde o assunto diversidade passou a ser mais discutido. Mesmo com esse avanço, Ricardo Sales afirma que é preciso mais.

“Nas grandes empresas essa discussão avançou. Tivemos um avanço histórico, mas ainda não é completo. Os desafios são complexos, esses avanços são significativos, mas precisamos acelerar o passo. Por exemplo, apenas uma em cada três pessoas trans falam abertamente sobre sua orientação sexual no trabalho. Isso precisa mudar”, destaca.

Ricardo Sales destaca que, durante a pandemia, esconder a orientação sexual no trabalho fica cada vez mais difícil, por conta do home-office. “A vida pessoal e profissional tem se misturado. Existem casos em que as pessoas desligam a câmera em uma reunião porque têm vergonha de falar, de mostrar quem é. Isso é cruel, traz um custo grande para a saúde e é péssimo para os negócios. Ela vai ser menos produtiva, vai ter uma preocupação a mais por não ser acolhido e respeitado por ser quem é”, enfatiza.

Glamourização da figura do empreendedor

Outro ponto abordado por Ricardo foi a glamourização do empreendedor. Segundo ele, o empreendedor tem algumas vantagens, mas o glamour é derrubado diante do fato de ter que trabalhar muito mais do que em um emprego formal e lidar com a gestão da empresa.

“Ainda assim, temos muitas dificuldades, como crédito, gerir pessoas e toda uma complexidade que envolve gestão. Hoje falo de um lugar de absoluto privilégio, o meu negócio está caminhando bem, mas isso é diferente da maior parte da realidade do empreendedor brasileiro, do negro, do LGBT, da mulher e do deficiente”, lembra.

Sobre conquistas do Movimento LGBTQIA+

Ricardo Sales ainda ressaltou algumas conquistas da luta LGBTQIA+, como o reconhecimento da legitimidade do casamento homoafetivo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), julgamentos de casos de adoção e a retificação de nomes sem necessidade de passar por cirurgia, bem como a criminalização da LGBTfobia em um país que a cada 23 horas uma pessoa LGBT é assassinada. Mesmo assim, ele reforça que é preciso ser vigilante e criar laços.

“Tivemos conquistas, mas temos que ser vigilantes porque novos desafios surgem. Temos que criar redes de solidariedade, ter uma comunidade, criar laços de empatia, compaixão e estimular a economia dentro do nosso círculo. Dar um emprego a um LGBT e realizar negócios dentro desta comunidade”, conclui.

Trainee da Unidade de Marketing e Comunicação do Sebrae Alagoas, Klaus Roger, participou da discussão e destacou o que mais chamou sua atenção na explanação de Ricardo Sales e ainda abordou a importância de se debater esse tema.

“Essa questão de comunidade e de como a comunidade LGBTQIA+ pode se ajudar e fortalecer os negócios dentro dela foi o que mais se destacou na fala do Ricardo. Tratar esse tema em Alagoas é um desafio. É sempre muito bom ter e construir esses espaços coletivamente”, enfatiza.

Representante do Grupo Valoriza (@somosvaloriza), Lourival Filho disse que comunidade e militância devem envolver, também, educação e empreendedorismo. “O próprio nome LGBTQIA+ já traz vários pontos de atenção. Temos que tirar a carga de preconceito dentro da própria comunidade, pensar na educação, em comunidade, em união e fortalecimento. O movimento que deve ser reconhecido como ele é, para fortalecer essa rede. Temos que ser diversos, plurais e valorizar quem somos”, finaliza.