Silvio Meira, professor extraordinário da CESAR School e especialista em inovação, com 25 anos de carreira na área, comandou a webinar que fechou a programação do MCZ Play 2020. “Seu futuro depende da inovação” foi o tema da sua palestra, que deixou algo claro aos empreendedores e empreendedoras participantes: quem não acompanhar a mudança de hábitos dos clientes e do mercado está fadado a desaparecer.
O primeiro passo para pensar em inovação é entender o que ela significa. “Inovação é evolução, são processos de evolução e adaptação que mudam como a gente compete. Deriva da mudança do comportamento dos consumidores ou mudança dos consumidores em si. Temos que pensar como evolução, transformação e adaptação contínuas”, explica.
Na última década houve uma mudança de comportamento drástica na sociedade, principalmente quando os telefones deixaram de lado sua função tradicional e passaram a ser plataformas digitais conectadas. As pessoas foram informatizadas, ainda mais durante a pandemia. Silvio afirma que se algo muda o comportamento das pessoas, elas começam a inovar. E se o empreendedor não muda para seguir essas pessoas, elas procurarão outros.
“As compras no varejo online saltaram de 6% no início da pandemia para mais de 20%. O trabalho em casa foi de 5% para 23%. A gente podia dizer que quando tudo isso passasse, as coisas voltariam ao normal, mas parece que não. Uma pesquisa do Paypal mostra que menos de 20% das pessoas que adquiriram novos hábitos voltarão ao que faziam antes da pandemia. 84% disseram que vão continuar comprando online. Esses novos hábitos continuarão. 80% das pessoas vão manter esses hábitos”, enfatiza.
Essas mudanças afetaram os mercados. Nesse período de pandemia, alguns deles chegaram a patamares que, em condições normais, levariam décadas. “43% dos executivos dizem que seus mercados aceleraram de 1 a 4 anos; 27% de 5 a 9 anos e 23% aceleraram 10 anos ou mais nessa pandemia. São coisas que eram inimagináveis há um ano. Isso é uma ventania, um furacão digital, que chega a todos ao mesmo tempo. A pergunta deixa de ser ‘quando voltaremos ao normal’ e passa a ser ‘quais são e de onde vêm os novos normais? A gente se posiciona em pelo menos um deles?’ Essa mudança de comportamento do consumidor, se não for habilitada por nós, já estamos atrasados”, afirma o palestrante.
Transição e estratégia
“Tem uma coisa que é uma tendência irreversível: empresas, times, pessoas, mercados estão em uma transição do físico para uma articulação do físico e do digital, quase que em tempo real. É como se víssemos o mundo em três eixos: o espaço físico ampliado pelo espaço digital, orquestrado pelo espaço social. O problema da maioria das empresas é sair do comportamento físico para o quase ‘figital’ (uma mistura do físico, digital e social). Não vamos diretamente para o digital porque a parte física ainda é muito significativa no mundo e não há transformação”, explica Silvio.
O trabalho está mudando. O espaço físico já começa a ficar mais fluído, está se distribuindo. Os contratos de trabalho, a performance do analógico para o digital. “Estamos migrando para o trabalho cada vez mais híbrido. Podemos trabalhar de onde a gente quiser, em um trabalho que está disponível onde nos encontramos. No futuro, na economia do conhecimento, as empresas não irão competir por clientes, mas por trabalhadores”, diz.
De acordo com Silvio, para aproveitar essa mudança para o “figital”, para o espaço competitivo, para o trabalho híbrido, as empresas precisam de estratégia digital, “figital”, tratando os espaços físico, digital e social como um só.
“É um espaço de adaptação, de evolução e de transformação, mudando tudo. A transformação digital é uma mudança radical de performance. É inovação, só que agora sobre novas plataformas. A performance que entrega valor é realizada sobre plataformas digitais, que provém fundações para irmos ao mercado e concorrermos lá. É inovação com transformação estratégica, uma mudança radical para decidirmos como, onde, para quê e para quem a gente faz. Inovação digital e transformação estratégica geram transformação digital”.
O processo de transformação das empresas que já funcionavam no digital aumenta a agilidade e eficiência, melhora a experiência do consumidor – que encontra o negócio mais facilmente, traz fluidez, aumenta a competitividade, otimiza o negócio para o futuro e prepara para a transformação.
Silvio cita como exemplo o Magazine Luiza. “Era uma rede de lojas de varejo que tinha um e-commerce. Agora, o Magalu é uma plataforma de negócios digitais que tem uma rede de pontos físicos e calor humano. Não sumiu a loja, nem o varejo e nem o e-commerce. Eles ainda fazem todos os 3, mas eles são aplicações sobre a plataforma de negócios digitais da empresa. Houve uma mudança radical de agilidade, de eficiência”.
Inovar é preciso, mas precisa da ajuda de todos
“Inovação não depende só de liderança, mas também depende muito de pessoas. Transformação digital é só uma buzzword (palavra da moda) para simplificar o fato da gente dizer que as empresas precisavam fazer inovação digital com transformação estratégica. Inovar depende de pessoas adquirindo novas habilidades. Vamos ter que adquirir habilidades digitais e estratégicas”, diz Silvio.
Ele continua afirmando que para fazer também a transformação digital da cultura da empresa, é preciso estratégia de e para pessoas, transformar aspirações em capacidades levando em conta o tempo, o espaço e a escala.
“Temos que aprender coisas, aprender comunicação no espaço digital, reaprender marketing, talvez até reaprender a vender. Aprender o que é criatividade no espaço digital, aprender a pensar de forma crítica sobre essa nova tecnologia e aprender a colaborar digitalmente, usando as plataformas, para aprender a trabalhar digitalmente de dentro para fora (com fornecedores e parceiros), e de fora para dentro, com relação a nossos clientes.
Transformação não envolve apenas velocidade, mas definição de que horas você começa a correr mais rápido. Silvio ressalta que é importante prestar mais atenção às pessoas e às interações, soluções que resolvem problemas, colaboração com os clientes do que processos e ferramentas, documentação e negociação de contratos. Pensando assim, as respostas às mudanças serão rápidas e os planos que já não funcionam serão abandonados.
A inovação passa também pelo uso cada vez maior dos dados, e que agora exigem também atenção à nova legislação, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Mas se bem usados, e da forma correta, junto a algoritmos e, se precisar, Inteligência Artificial, podem combinar com sucesso os serviços e a experiência, que é o que os clientes realmente procuram em uma empresa. As redes de inovação também são parte importante desse processo.
“Estamos em uma sociedade de economia de redes e economia em redes. Nós estamos em uma ruptura, mas não um big bang dos bits. Estamos em um processo de tecnologia e redes que só faz acelerar com o passar dos anos. Quem não acompanhar essas mudanças, vai deixar de existir na metade dessa década. É uma oportunidade de transformação digital, redesenho. Precisamos procurar nossa estratégia, a nossa estratégia de transformação, para articular o físico, o digital e o social em todo canto, o tempo todo, no tempo”, conclui.
Contato para a imprensa:
Assessoria de Imprensa do Sebrae Alagoas
Débora de Brito
(82) 99162-5416