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Imersão na Fenearte impulsiona produção e abre novos mercados para o artesanato alagoano

Missão promovida pelo Sebrae Alagoas transforma o repertório de artesãos e empreendedores ao unir identidade cultural com negócios e inovação
Por Patrícia Bastos
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A missão de artesãos alagoanos para a Fenearte, que aconteceu em Olinda (PE), representou muito mais do que uma simples visita à maior feira de artesanato da América Latina. O verdadeiro valor da viagem está na bagagem de volta. Mestres e empreendedores trazem uma transformação na forma de enxergar a própria arte e seu potencial de mercado.

Proporcionada pelo Sebrae Alagoas e dividida em duas visitas técnicas que contaram com 42 participantes, a missão funciona como um divisor de águas na economia criativa ao conectar saberes tradicionais às tendências contemporâneas de design e comércio. Ao colocar criadores locais em contato direto com curadores e tendências de todo o país, a ação mostra que a produção alagoana também possui valor comercial e cultural em qualquer vitrine.

Na visita estruturada pela gestora do Programa de Artesanato do Sebrae Alagoas, Marina Gatto, os participantes fizeram muito mais do que simplesmente observar os estandes. Além de absorver tendências de mercado, soluções de acabamento e modelos de exposição, o grupo expandiu os horizontes ao conhecer outras atrações da região.

“Fizemos uma programação bem completa com 12 participantes. No primeiro dia, ficamos na Fenearte, para que pudessem ver novas técnicas e produtos, compartilhar informações com outros artesãos e conhecer diferentes formas de exposição, novidades e palestras. Foi uma forma de abrir a mente para levarem inspirações para produtos novos dentro do seu negócio. No dia seguinte, fomos à Usina da Arte. Foi um momento muito rico para compartilhar histórias e refletir sobre a utilização de recursos da natureza. Assim, cumprimos o nosso objetivo, que era de abrir possibilidades, elevar a criatividade e expandir a mente dos nossos artesãos”, explicou.

Artesãos e empreendedores alagoanos participaram de missão técnica à Fenearte

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Para o grupo que partiu de Arapiraca para a feira, a vivência traz uma nova consciência para o valor do seu fazer criativo e das oportunidades de negócio que ele é capaz de gerar. Entre os participantes, havia o encantamento de quem participou pela primeira vez e tomou consciência do impacto que sua arte é capaz de gerar. Para aqueles que participaram de outras missões promovidas pelo Sebrae, foi a oportunidade para absorver e trocar experiências, como pontua a analista Suzylane Ferreira, responsável pela comitiva.

“Realizar uma missão como essa é uma oportunidade de ampliar a visão de mercado, trocar experiências, conhecer novas técnicas e despertar a criatividade. Levar 30 artesãos do Agreste significa investir no fortalecimento do artesanato da nossa região. Cada participante retorna com novos conhecimentos, compartilha aprendizados com outros produtores e contribui para tornar o setor mais inovador e competitivo, sem jamais perder a essência da identidade cultural de Alagoas”, ressaltou.

Mergulho cultural em Olinda inspira coleção de biojoias alagoanas

A vivência nos corredores da Fenearte e na Usina da Arte funcionou como um catalisador de ideias e sensações para a artesã e empreendedora Maria de Fátima Ferreira. Além de absorver tendências, ela transformou o itinerário em processo criativo, coletando com respeito e cuidado flores, folhas e sementes durante a viagem. Desse material colhido nascerá a nova coleção de biojoias da Carpe Diem Do, batizada de “Coleção Sebrae – Uma imersão cultural na Fenearte”, que será formada por uma série de peças concebidas como forma de registrar e compartilhar a bagagem poética acumulada ao longo da missão.

“Participar da visita técnica à Fenearte com a equipe do Sebrae foi uma experiência que agora faz parte da minha história. Mais do que conhecer uma feira, foi uma oportunidade de mergulhar em um universo de criatividade, cultura e identidade”, relata Fátima. Para ela, a imersão foi tão intensa que ela agora lamenta ter feito poucos registros do que viveu.

Durante a visita, os participantes conheceram novas técnicas, modelos de exposição, fizeram contatos e voltaram com ideias para inovar sem perder a identidade cultural de Alagoas

“Cada estande e cada artesão despertaram em mim novas ideias e reforçaram algo em que sempre acreditei: quando valorizamos o feito à mão, criamos produtos que carregam significado e emoção. Volto para casa com o coração cheio de inspiração, mais confiante e motivada, sabendo que é sempre possível inovar sem perder a nossa essência”, complementa a artesã.

Essa busca por ressignificar experiências está na semente da própria Carpe Diem Do. A empresa, que nasceu de um trabalho conjunto de Fátima e sua sobrinha Giselly Ferreira dos Santos, surgiu inicialmente como um caminho terapêutico para o enfrentamento da depressão e da ansiedade. Fortalecida pelo programa Acelera Perifa, do Sebrae Alagoas, a marca hoje é reconhecida na criação de biojoias artesanais que eternizam memórias afetivas, combinando resina a flores, folhas, sementes e conchas para transformar elementos da natureza em arte autoral e cheia de significado.

Troca de experiências e novos contatos fortalecem artesãos do Agreste

Enxergar a sua própria arte de outra perspectiva e criar conexões reais de mercado foram os maiores ganhos experimentados por pelo menos parte do grupo que integrou a comitiva do Agreste na missão à Fenearte. A imersão permitiu não só a troca de contatos para futuras parcerias comerciais, mas também aprendizados de novas linguagens artesanais que agora passam a agregar ao trabalho feito pela Associação dos Artesãos e Artesãs Profissionais de Arapiraca e Região (AAAPAR).

“Levamos artesãos de diversas tipologias, inclusive muitos que nunca tinham ido a esse evento, para trocar ideias, comercializar e aprender novas técnicas. Foi uma viagem muito proveitosa, eles amaram o que encontraram e voltaram repletos de novas ideias e contatos para parcerias e vendas futuras. Como representante dos artesãos, busco sempre levar nossos produtores para outros estados para que conheçam novos amigos artesãos, aprendam diferentes formas de fazer e até englobem outras tipologias à sua arte. Nossa região tem só a ganhar em parcerias como essa”, afirma Jailton Barbosa da Silva, presidente da associação.

A busca por qualificação e novos mercados reflete o trabalho da associação, que atua como pilar de sustentação para os criadores locais, promovendo feiras e estruturando a categoria. Em articulação estratégica com o Sebrae Alagoas, a associação participa de iniciativas como o Sebrae Delas e de ações conjuntas para impulsionar a exposição dos produtos em eventos, além de capacitações e treinamentos específicos para integrar conceitos de moda ao artesanato local e agregar valor comercial às peças.

Estratégia de desenvolvimento contínuo potencializa economia criativa

O apoio e organização de missões técnicas a grandes feiras não é uma ação isolada, mas integra uma estratégia contínua de fomento ao artesanato mantida pelo Sebrae Alagoas. Durante todo o ano e de forma descentralizada, a instituição desenvolve uma constante jornada de capacitações para esse público, que vão desde a precificação até posicionamento digital e design de produto. Da variedade de rendas tradicionais até a cerâmica, passando pelos objetos confeccionados em palha, madeira e outros insumos naturais e as biojoias, a instituição oferece as condições necessárias para que os produtores locais conheçam e também participem de grandes eventos, como a Fenearte.

“O apoio do Sebrae ao artesanato alagoano é construído com visão de longo prazo. A missão à Fenearte conecta-se a uma série de ações contínuas de capacitação, consultoria e acesso ao mercado que realizamos durante todo o ano, como oficinas de aprimoramento de produto, estímulo ao associativismo e feiras de negócios locais. O nosso grande objetivo é empoderar o artesão para que ele se reconheça como empreendedor da sua própria arte. Quando ele domina seu negócio e reconhece o valor único da sua criação, sua produção ganha o mundo, gerando renda, orgulho e desenvolvimento para todo o estado de Alagoas”, concluiu Marina Gatto.